ESPAÇO ABERTO - A mulher mandona
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 2003
Moacir Costa 
Existe um tipo de mulher que manda em todos os detalhes da vida do homem. Ela escolhe a roupa, cuida da agenda do escritório, da conta do banco... Até o cheque é ela quem faz. Às vezes, ele assina, outras não.
Eventualmente, ela dá um dinheiro para ele comprar um lanche ou pagar o pedágio ''Pegue R$ 10 ou R$ 20 na minha bolsa'', diz. Essas mulheres invadem a vida do companheiro ao extremo. Não têm limites para sua atuação. Acabam sufocando o parceiro em função do autoritarismo e do controle.
Elas sabem tudo, nunca admitem que estão erradas. São mulheres que ganham no grito, a última palavra é sempre delas, seja na base do jeitinho ou do autoritarismo.
Eu acho que esse comportamento interfere e acaba com o brilho próprio do companheiro. Existem casamentos que se arrastam há mais de trinta anos e, como essas rusgas não são tratadas, a mágoa e o ressentimento vão se acumulando.
Essas ligações só continuam porque alguém se anula; no caso o companheiro. As doenças psicossomáticas começam a aparecer nesses indivíduos, como problemas gastrointestinais, hipertensão arterial, alergias e principalmente problemas sexuais.
De cada dez homens que têm ejaculação precoce, três têm mulher autoritária, mandona, controladora, que na realidade não faz aliança com o homem. Ela compete, domina, sufoca e o anula. Ele entra naquela linha do bonzinho para não apanhar mais ou não ser rejeitado. A ejaculação precoce e a impotência, com o tempo, são inevitáveis. É só conferir. O homem começa a apresentar essas disfunções sexuais antes dos 40 anos.
Tornar esse indivíduo amestrado, submisso, aquele que precisa sempre estar dando satisfações, não é uma prova de amor; é controle. É importante observar que jamais a sexualidade irá conviver em sintonia com esses estados de humilhação e submissão. Ao contrário, acho que o homem que se atrai por esse tipo de mulher tem que receber um prêmio extra.
Se o indivíduo tem auto-estima, dificilmente aceita esse nível de controle. O caminho da depressão é inevitável para esses homens. Por isso, é fundamental que ele procure ajuda especializada para ganhar apoio e conseguir recuperar o amor próprio e a autoconfiança.
Dessa forma, irá constatar que não mais necessita de uma mulher que dirija seus passos. A separação será o caminho natural, exceto quando a terapia psicológica ajudá-lo a aprender a se confrontar, mostrando-se mais determinado e corajoso. Mas até que isso ocorra, ele precisará estar certo de suas dificuldades e se conhecer melhor, para poder viver com alegria, segurança e liberdade.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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