ESPAÇO ABERTO - A missão do prefeito eleito
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sexta-feira, 02 de novembro de 2012
Omar Genha Taha 
Depois de uma campanha acirrada, chega à Prefeitura de Londrina o empresário Alexandre Kireeff (PSD) com 50,53% dos votos válidos - 141.027 votos. Isso depois de dois turnos disputadíssimos com candidatos experientes de legendas robustas, incluindo o último prefeito eleito, e saindo de um patamar de penúltimo lugar, à frente apenas do Valmor Venturini, o candidato do PSOL.
Portanto, uma virada espetacular sobre um candidato também muito bem preparado - Marcelo Belinati - que, além de carregar um sobrenome de peso popular no histórico de eleições em Londrina, estava vitaminado com o PSDB que tradicionalmente traz propostas mais técnicas para gestão da cidade.
Apesar da polarização, a campanha transcorreu em bom nível, sem muitas agressões de parte a parte, apenas com algumas alfinetadas esporádicas que não chegaram a comprometer a qualidade do trabalho de marketing político realizado de ambas as partes.
Portanto, a vitória de Kireeff foi a vitória do novo, da novidade, da inovação de toda uma vontade do londrinense de deixar para trás um passado lamentável de cassações, processos de corrupção, intervenções sucessivas do Ministério Público, etc.
A leitura do eleitor foi muito clara: vou escolher o que é diferente de tudo isso que está ai! E o discurso de Krieeff segue esta linha com muita coerência: desde o momento em que não aceita os tradicionais apoios dos partidos que não passaram no primeiro turno até a entrevista um dia após a eleição onde reitera que não vai convidar parentes para cargos, como seria o caso do irmão Fernando Kireeff, que exerceu a presidência da Sercomtel na gestão Barbosa Neto e demonstrou ser bem preparado tecnicamente.
E aí já está configurada a primeira missão do prefeito eleito: manter a coerência do início ao fim dentro de uma linha de conduta política que pareceu impossível a tantos quantos ocuparam este cargo.
Depois disso, a questão da gestão: na prática, uma prefeitura é bem diferente de uma empresa; tem recursos limitados e de aplicação bem definida, com leis como a de Responsabilidade Fiscal que regem inclusive os percentuais mínimos para diversos setores como educação e saúde. Com relação aos recursos humanos disponíveis, cabe salientar que a prefeitura tem um perfil de trabalhadores que, se por um lado são altamente qualificados tecnicamente e ''tocam o serviço'' com ou sem prefeito, por outro, tem suas peculiaridades, sua relação estatutária de trabalho e atribuições já muito bem definidas, qualquer seja o modelo de gestão.
Outro aspecto: como se sabe, Kireeff assume uma prefeitura combalida sob o ponto de vista econômico, os parcos recursos advindos do Profis, quase que suficientes apenas para cobrir a folha de pagamento deste final de ano, incluindo o décimo terceiro salário. Para viabilizar novos recursos e fazer a máquina funcionar - mesmo as propostas de austeridade e ganho de confiança da população que oxigenariam as finanças da prefeitura -, leva tempo para acontecer (pelo menos uns 6 meses até engrenar o novo projeto de gestão).
E, finalmente, não menos importante, lembrar do grau de interferência do Legislativo, com o qual o novo prefeito não teve até o momento nenhum tipo de articulação. A Câmara como se sabe não ajuda muito, mas se quiser pode atrapalhar bastante. Portanto, esse é o esboço da missão que Kireeff tem pela frente.
Esperamos que o grande apoio popular, institucional e o empenho do novo prefeito frutifiquem em propostas concretas para elucidar essas questões.
OMAR GENHA TAHA é médico e escritor em Londrina


