Nem infra-dotado, nem portador de deficiência mental ou outro nome semelhante que se queira dar, mas excepcional. No sentido de que excede, está além. Se o avaliamos apenas pela ausência de alguma faculdade de coordenação física e fazemos o juízo de que é carente, então somos nós que precisamos de ajuda e orientação especial, não ele. A pessoa nessa condição é imune às ambições terrenas, portanto liberta. Não se apega a coisas materiais, e se pede algo que veja, não se molesta se não obtém; não sente injustiças, porque não é vítima de egos. A natureza divina a poupou de desejos terrenos para que sua missão não se macule.
O excepcional não é portador de livre arbítrio, porque tal é um fardo e não uma virtude. Livre-arbítrio é uma espécie de ''pecado original'', eis que, à medida que cada ser evolui espiritualmente, menos precisa arbitrar; é uma ferramenta que ainda se precisa utilizar, para que se opere o experimento e se descubra o caminho, pela livre decisão. Por isso, é uma dádiva. No Céu, que não é um lugar mas significa o mais elevado estado de consciência, não há necessidade de arbítrio, pois tudo se rege por um único princípio.
Não existe no excepcional a consciência de que é portador de alguma descoordenação motora. Ele se sente normal, como de fato é. Se necessita de cuidados, isto não envolve sua essência e sua condição espiritual. É como uma criança, pela sua pureza. Temos que ser como crianças nos ensinou o Mestre. Não no sentido de sermos pequeninos em idade e estatura, mas sermos puros.
Um excepcional não é um transtorno mas uma bênção para a casa onde chega. Porque vem para abreviar karmas dos familiares envolvidos com ele. No lar onde ele se instala tudo acaba se harmonizando. Um excepcional é um ser de luz. Se é dependente, o é apenas das coisas da fisicalidade. Seu estado de consciência situa-se num patamar de serenidade e com faculdade extra-sensorial desenvolvida. Crê-se que ele já não tenha mais nada a transmutar. Vem apenas em missão de doação para o meio que chega, e, pela sua presença e pelos cuidados que irá exigir, contribuirá para que os membros desse grupo se elevem. Não é castigo para um casal ou para a família, porém uma concessão.
É preciso afastar sentimento de piedade para com ele, porque não é disso que necessita senão somente dos cuidados pessoais, para que cumpra sua missão. Não é um sofredor, mas como as pessoas não compreendem o que ele significa e a razão de ser assim, são elas que sofrem. Um karma se cumpre ou se abrevia pelo sofrimento mas também, e principalmente, pela compreensão e pelo amor. Se falta o amor, então será pela dor. Assim é o processo. Que não significa condenação mas a oportunidade que a misericórdia divina concede. O excepcional não necessita de uma vida longa por aqui. Vem, cumpre sua missão e vai embora, deixando no lugar um luminoso rastro de luz.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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