Karl Marx (1818-1853), filósofo e economista alemão, em sua famosa obra ''O Capital'', critica o sistema capitalista. Segundo Marx, a burguesia capitalista explora a classe trabalhadora, que se vê obrigada a vender sua mão-de-obra. Ainda, citando Marx, ''a evolução social seria ocasionada por uma luta de classes sociais''.
Na história da evolução sócio-econômica brasileira observa-se durante séculos o domínio de oligarquias regionais, que monopolizaram o fluxo de recursos econômicos, provocando miséria entre a população desprivilegiada desses segmentos sociais. A tipicidade do assunto abordado no Brasil ocorreu no Nordeste e teve como consequência a migração de massas populares para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida. Essa migração deu origem a um contingente de pessoas que não tinham condições de se adequar a um mercado de trabalho, formando massas marginais da sociedade.
A busca pela sobrevivência ocasionou entre a população marginalizada o envolvimento com a criminalidade, que ampliou-se e diversificou-se, criando hoje o chamado estado paralelo do crime organizado. O governo busca, através de políticas de repressão ao crime, solucionar o grave problema que deixa toda a sociedade estarrecida. Porém, a solução desse problema não está vinculada a simples medidas de repressão, mas sim à necessidade de elaboração de políticas que visem reparar um erro histórico na formação economia brasileira que é a má distribuição de renda.
A situação de caos que passa a população de grandes centros urbanos, sendo o Rio de Janeiro a cidade onde o caos atingiu o extremo, reflete a ineficácia do Estado Capitalista de manter-se explorando a classe trabalhadora. Com a organização das facções criminosas, as pessoas que antes viviam excluídas da distribuição lícita de renda, encontraram nos meios ilícitos uma forma de se capitalizarem e se voltarem contra a classe burguesa que há séculos as vinham explorando.
Seria esta uma nova luta de classes à qual se referia Marx em sua obra ''O Capital''? Em seu livro Marx pregava que a classe trabalhadora deveria unir-se para tomar o poder e criar um Estado Socialista onde todos teriam direito à moradia, trabalho e educação; não haveria uma distribuição de classes sociais mas somente um Estado que viabiliza, de maneira justa, uma igual distribuição de renda a todos os cidadãos de uma nação.
Mas como se classificaria a atual violência que traz uma onda de medo a todo o País? Esta onda de violência e crimes seria uma adequação dos meios de se conseguir inserir de forma forçada na distribuição de renda, uma vez que a população favelada das grandes cidades viu esta como a única alternativa para poder ter uma condição de juntar uma base monetária que lhe permitisse vir a ser incluída em um mercado consumidor capitalista.
Os ataques à população em geral são uma forma de imposição através do medo e da repressão e um aviso para que o governo e a sociedade não venham a tentar tomar a renda que essas pessoas, antes excluídas do capitalismo, vieram a ter através do tráfico de drogas e do crime organizado em geral.
Para tentar mudar este quadro seria necessário uma nova articulação entre governo e sociedade, visando a longo prazo dar condições para que a população de baixa renda tenha acesso à educação, à saúde, ao trabalho e, principalmente, a uma justa distribuição de renda. Isso evitaria que uma criança de favela venha a começar um novo ciclo de crimes e, futuramente, a se tornar mais um traficante que ameace todas as pessoas de bem deste país.

MÁRCIO NUNES PAIVA é economista em Goioerê

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