ESPAÇO ABERTO - A intenção no fazer as coisas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Walmor Macarini 
Em tudo que fazemos será preciso adicionar a intenção de aquilo beneficiar a nós e também a outras pessoas, de preferência o maior número possível delas. Além da conscientização de fazer a coisa bem feita, há que ungi-la do desejo de que gere satisfação em quem dela se servir. A cozinheira que faz a comida não deve apenas cumprir uma obrigação, mas desejar que as pessoas se alimentem bem e que isso lhes faça bem. O sapateiro não tem que visar só o lucro pelo seu trabalho, mas que seu sapato seja confortável aos pés de quem o calçar. Cada obra, pequena que seja, deve ser algo que engrandeça seu autor, porque dessa forma engrandecerá a humanidade. O que se faz com sentimento quintuplica-se de valor e é capaz de melhorar a face do mundo.
O trabalho que cada um exerce não pode ser considerado apenas um emprego, mas um instrumento de melhoria do conforto das pessoas e das condições de seu meio. A irradiação desse sentimento resultará em limpeza do campo ao redor, criando uma propagação de força que acabará, na soma, beneficiando a mais gente. Se, ao contrário, fazemos alguma coisa com ira, porque estamos de mau-humor ou porque ela nos proporciona pouco ganho, esse sentimento a impregnará, e quem a consumir ou utilizar não se sentirá bem. Há que dar o toque da perfeição e da beleza em todas as coisas que se fizer.
Se o empregado trabalha com raiva, atrairá correntes de negatividade que poderão resultar em acidentes em seu serviço, em perda do próprio emprego, em ausência de promoção ou afastamento da prosperidade. Maldizer o quanto se ganha, por julgar pouco, fará ainda menor esse pouco. Mas agradecer pelo que se recebe e pelo que se tem sem prejuízo de lutar por renda melhor, se isso for justo resultará em milagres de multiplicação.
Cada indivíduo deverá ser um foco de luz, que iluminará o próprio caminho e o dos demais, sem medida de distância. É preciso exercer a vida com a meta de fazer as coisas para o bem-estar de alguém e não apenas porque somos pagos por isso e porque temos de sobreviver. Quem luta apenas pela sobrevivência, apenas sobreviverá, o que não é viver. Somando atos com boas intenções, contribuimos para limpar a mente coletiva, e assim as coisas irão ficando menos densas.
Devemos estender um pedaço de pão para o que estiver próximo, se ele precisar, e também podemos, quando estamos nos beneficiando da comida em nossa mesa, dirigir um sentimento de compaixão para os famintos do mundo. Isto, de alguma forma, lhes aliviará o tormento e nesse instante a luz do mundo se tornará mais brilhante.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


