No artigo ''Viva a impunidade: Belinati e a sucessão municipal em Londrina'' (Folha, 9/4), o sociólogo Givaldo Alves da Silva descreve e não se conforma com a ''liderança'' atualmente aceita pela nossa comunidade. De acordo com a história, a sociedade que chega ao poder sempre foi nojenta e asquerosa, pois que tem como objetivo o achaque aos cofres públicos e não ao bem comum da sociedade. Por falar em achaque, dias atrás ensaiava-se um assalto à Prefeitura de Londrina em uma das áreas mais necessitadas: a merenda escolar. Abriram uma licitação para terceirizar a merenda escolar com um aumento fantástico das despesas em 400%. Incrível?
Sobre a impunidade, caro Givaldo, lembro que até os meus 40 anos também odiava a sociedade, a ponto de não distinguir as pessoas de bem das asquerosas e nojentas que representam o mal. Todavia, já na maturidade, passei a entender melhor os planos de Deus e hoje sou adepto do maniqueísmo, que reconhece a luta constante de duas energias bem e o mal como forma de renovação do ser humano, daí valendo lembrar que a esperteza, arma dos incompetentes, sempre visou o benefício próprio e o poder e, como lembrava Adam Smith: ''A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram''.
Assaltar os cofres públicos ou nossos semelhantes tem sido a tônica dos políticos em nosso País. Belinati atingiu o poder e fez o que fez acompanhado por dezenas de empresários ''londrinenses'' os quais desfrutam dos espaços privilegiados em nossa comunidade e, através da corrupção, ''determinam'' os destinos dos impostos para benefício próprio. Quanto à aceitação de Belinati pela nossa comunidade, vale destacar que, em sociedade como a nossa, os espertos se aproveitam da omissão das pessoas de bem e os idiotas eleitores ignorantes e interesseiros, acreditam que podem se aproveitar economicamente com a vitória do falso líder.
Quem não se lembra das filas de ''idiotas'' nos primeiros dias em que Belinati assumiu a Prefeitura de Londrina pela última vez? Como lembrava Jean-Jacques Rousseau ainda no século XVIII, as pessoas tinham por hábito ''beber a largos sorvos a mentira que as lisonjeava e gota a gota a verdade que lhes era amarga''. Portanto, o londrinense vive de ilusão e não aceita a verdade e sequer consegue distinguir um líder pessoa que defende a harmonia social do falso líder.
É que o falso líder promete emprego e com o dinheiro da corrupção promove a ''liderança'' comprando o apoio e o voto dos idiotas e dos maus empresários, enquanto que o político sério e honesto, que promete apenas trabalho e que não distribui dinheiro da corrupção entre seus ''seguidores'', acaba sendo relegado a um segundo plano. Após muita leitura e meditação, passei a compreender que toda essa luta pelo poder político ou econômico tem um preço: o fracasso e a desgraça, conquanto está sedimentado nas escrituras sagradas: a semeadura é facultativa, a colheita, porém, obrigatória.
Caro Givaldo, volte alguns anos atrás e faça uma breve reflexão sobre o que aconteceu com os homens que tiveram a mesma conduta do sr. Antonio Belinati, a exemplo do que já aconteceu com os juízes Lalau e Rocha Matos e acontece com Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães e outros, que curtem um verdadeiro inferno astral decorrente do resultado da semeadura gananciosa e irresponsável que praticaram no passado.
Londrina mesmo está abandonada e violenta, fruto da irresponsabilidade dos eleitores ao elegerem seus líderes no passado. O senhor não acredita que eles usufruam algum resquício de felicidade, acredita? Dê um tempo e verás. Givaldo, parabéns pelo artigo e por sua coragem.
ANTÔNIO CARLOS CANTONI é advogado em Londrina

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