Em virtude da presença de milhares de terminações nervosas, a pele é um órgão poderosíssimo, que não deve ser subestimado. Por isso, o tato é um sentido essencial no sexo: ele nos permite sentir o que não podemos ver ou ouvir. Texturas, nervuras, nuances, calor, frio... O tato é vital no relacionamento amoroso. Faz parte da linguagem do sexo, é ingrediente básico em uma relação sexual.

Mulheres que foram criadas com carinho, que viram seus pais se abraçarem e se beijarem com naturalidade e andaram de mãos dadas com pessoas queridas tendem a usar o tato de forma espontânea, instintiva e criativa. Acariciam o parceiro quase sem pensar, é um ato natural e faz parte da linguagem do seu corpo. Já quem teve pais frios e distantes, precisa a aprender a gostar do toque, pois não o conheceu na infância e nem houve oportunidade para o aprendizado.

Nada é impossível e esse aprendizado também não é. O tato pode ser explorado de diversas maneiras, por meio de massagens, toques sutis e toda sorte de carícias. Infelizmente, a maioria dos casais não usa tanto o poder do toque - ou pelo menos aproveita as delícias desse contato físico apenas nos primeiros anos de namoro ou casamento. Uma pena. Depois, o sexo se torna habitual e o script erótico passa a ser curto e pobre. A vivência do prazer fica reduzida e o casal, muitas vezes, passa a fazer sexo por obrigação, em um ritual sempre igual e monótono.

É normal que a libido caia e o interesse por sexo fique comprometido. Afinal, não há motivação, desejo, vontade de inovar e criar um envolvimento gostoso. É bom lembrar, antes de tudo, que sexo é alegria, é descontração, é prazer. Por isso, não só o tato, mas todos os sentidos devem estar em alerta nesses momentos intensos e inesquecíveis.

Audição, tato, visão, olfato e paladar: os orientais sabem muito bem como os sentidos são primordiais para sensibilizar corpo e espírito. Na cultura ocidental, infelizmente, as pessoas não valorizam muito o clima e as sensações. Algumas sequer percebem a importância delas. Fazem relações sexuais rápidas e quase mecânicas. Seus quartos são decorados sem nenhum charme e alguns, sem exagero, mais se assemelham a sisudas capelas: santos, imagens e cortinas escuras adornam o local. Como é possível fazer sexo - uma atividade lúdica e alegre - em um local assim?

É importante rever conceitos arcaicos e valorizar essas descobertas que os órgãos dos sentidos nos apresentam.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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