ESPAÇO ABERTO - A greve dos servidores federais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 2003
Maurício Barros 
Anteontem, os servidores públicos federais (SPF) de todo Brasil, da base da Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos dos Servidores Públicos Federais), da CNTSS (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Seguridade Social), da CNESF (Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Federais) e do Sindprevs-PR (Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social do Estado do Paraná) deflagraram mais uma greve no serviço público federal.
Greve de uma categoria, por meio de suas entidades, via de regra, merece sempre o nosso apoio, mas a greve dos SPF para nós tem um significado ainda maior. Há 23 anos fazemos parte da história de luta dessa honrada e combativa categoria. Sou ex-diretor do Sindprevs-PR e ex-presidente da ASPAS (Associação dos Servidores da Previdência e Assistência Social de Londrina) e hoje, na condição de vereador, não posso estar na direção dessas entidades. No entanto, não poderia me furtar de apoiar essa luta que fez parte da minha vida ao longo de 23 anos como funcionário do Inamps.
Da pauta da greve constam itens como a reforma da Previdência e a negociação de passivos trabalhistas, entre outros. Entendo que a reforma é importante, no entanto, é necessário debater com os servidores púbicos federais e inserir nas mudanças pontos importantes na vida desses servidores.
Participei em Brasília, nos dias 27 e 28 de junho, do Encontro Nacional de vereadores (as) e deputados (as) estaduais do PT, que reuniu cerca de duas mil pessoas, junto com o presidente Lula e ministros. O encontro foi importante como espaço democrático, mas a minha expectativa era pelo debate em torno da reforma da Previdência.
Após exposição sobre a reforma pelo ministro Ricardo Berzoini houve sorteio de dez pessoas, entre os presentes, para fazer perguntas. Tive a sorte de ser um desses contemplados, mas não fiquei convencido com a resposta do ministro.
Continuo acreditando que há pontos que ainda precisam ser melhor debatidos com a sociedade e os servidores, como a cobrança dos inativos e o aumento da idade mínima para aposentadoria de homens e mulheres, entre outros.
Com relação aos inativos, defendo que a cobrança incida sobre salários em patamares mais altos do que propõe o governo. Já com relação à idade mínima para homens e mulheres, entendo que se houve um aumento na longevidade do brasileiro, em média, isso não contempla principalmente as camadas sociais menos favorecidas do nosso país. Portanto, é preciso rever essa proposta.
MAURÍCIO BARROS é vereador do PT em Londrina


