ESPAÇO ABERTO - A força dos pequenos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de março de 2004
Algildo Munhon 
O Paraná sempre destacou-se no contexto nacional devido à iniciativa e criação de empresas de micro e pequeno porte. As rápidas mudanças que estão ocorrendo na sociedade em todos os aspectos, ou seja, políticos, econômicos, tecnológicos e sociais, criam complexidade às variáveis administrativas (planejamento, organização, execução, direção e controle) das organizações, principalmente na ênfase na tarefa, na estrutura, nas pessoas, no ambiente e na tecnologia. A abertura econômica e o acesso ilimitado a informações e a produtos de todas as partes do globo terrestre aumentam as possibilidades de conhecer e conquistar novos mercados.
Entretanto, com a mudança na maneira de administrar a empresa a partir da implantação do Plano Real, em 1994, as micro e pequenas empresas nacionais tiveram que passar por várias adaptações, e superar o alto índice de mortalidade das empresas nos primeiros anos de vida (68% de mortalidade nos dois primeiros anos de existência, segundo o Sebrae). A queda na inflação deixou claro o pouco conhecimento administrativo e financeiro do empresário brasileiro e quantos erros eram escondidos pelo processo inflacionário, e tornou menos atrativos os investimentos financeiros em empresas que não contavam com um plano de negócios ou planejamento estratégico. As empresas continuaram, incessantemente, buscando maior atividade produtiva como melhor fonte de remuneração do capital, porém sem evitar que muitos empresários deixassem o mercado de atuação por erros administrativos.
Os fatores macroeconômicos e a consciência da exigência cada vez maior por parte do cliente consumidor de produtos e/ou serviços, fazem com que as micro e pequenas empresas dependam cada vez mais do arrojado comportamento empreendedor, que na busca de sua manutenção no mercado, necessita atualizar seus conhecimentos e seu investimento em tecnologia para poder ter vantagem competitiva e desempenho positivo.
A Gestão dos Negócios focado no comportamento empreendedor do empresário das micros e pequenas empresas se baseia no fato de que elas representam 99% das empresas existentes formalmente constituídas no Brasil, 41% dos empregos formais no Estado do Paraná, 28% do PIB brasileiro (dados do IBGE 2003) e participam com parte expressiva dos impostos arrecadados. Mesmo assim, ainda são poucas as manifestações que existem para que as empresas possam obter vantagem competitiva e melhor desempenho em negócios locais, nacionais e internacionais utilizando esse conceito. Num futuro muito próximo espero que esse tema seja tratado como fonte de informação e conhecimento devido à particularidade do segmento.
As empresas que quiserem se destacar nesse cenário terão que criar indicadores consistentes, diretrizes, foco no negócio principal e conhecimento mais detalhado da necessidade do cliente e do mercado escolhido para atuação, itens que podem ser levantados a partir da mudança no comportamento do empreendedor, que deverá, para tanto, reconhecer a necessidade de busca de conhecimento para dar início ao processo de desenvolvimento pessoal e profissional, melhorando, assim, o ambiente empresarial.
Esta poderá ser sua vantagem competitiva desde que seja contemplada na estratégia empresarial utilizando o conhecimento adquirido e administrada com responsabilidade e competência.
ALGILDO MUNHON é coordenador do curso de Administração da Universidade Norte do Paraná (Unopar)


