É muito curioso o impacto que os chamados reality shows, como o Big Brother e a Casa dos Artistas, causaram nas pessoas ultimamente. Há um interesse exagerado, uma atração pela intimidade do outro e um envolvimento incomum com as pessoas e artistas desses programas.
Tenho notado que hoje existe uma preocupação muito grande com a vida alheia, como se o sucesso pessoal e as conquistas financeiras e profissionais tivessem sempre centralizados no outro e não em si próprio. Essa curiosidade começa a atrapalhar, à medida que você vê as pessoas torcendo de uma maneira fanática por um time de futebol. Há choro, euforia, brigas e conclui-se que a pessoa tem baixa-estima e pouca representatividade. Não tem interesse por sua vida pessoal e prefere lutar por um time do que pelos próprios anseios.
Que tipo de projeto de vida essas pessoas têm? Será que estão preocupadas com a sua vida afetiva? Com a melhora da qualidade do seu relacionamento amoroso? Com seu sucesso profissional e frustrações? Será que elas estão tão anestesiadas, comprometidas e anuladas na sua vida pessoal, profissional e até sexual, que não conseguem prestar atenção em si próprias? Estão sempre focadas no outro, nos programas de tevê, na vida das outras pessoas e não na sua própria história.
É uma questão preocupante. Infelizes, essas pessoas tentam se realizar através do vizinho, do parente ou do estilo de vida de um ator ou atriz. Não focam a atenção em si, não se exigem novas posturas, não questionam a validade do comportamento que estão tendo nem esboçam um projeto de vida.
Sugiro que, aos domingos, as pessoas avaliem sua semana, sentem com o companheiro ou a família e analisem a qualidade de vida que estão alcançando e se coisas boas estão ocorrendo. Comecem com as boas e depois passem a falar das mais desagradáveis e frustrantes, à medida que o estado de ânimo esteja compatível para lidar com isso.
É o início de uma nova etapa em que você poderá criar expectativas e motivação para ir à luta.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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