ESPAÇO ABERTO - A educação como investimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Nelson Araújo de Oliveira 
O sucesso ou o fracasso de um povo estarão sempre condicionados ao grau de desenvolvimento educacional desse povo. Não se faz atividade alguma, com êxito, sem fundamentá-la nos princípios básicos da educação e da tecnologia. Obviamente que a instrução educacional, além de proporcionar o progresso, é uma assertiva capaz de mudar comportamento. Neste desdobramento estratégico, o país que não investir em educação não terá luz, poderá permanecer para sempre no embrião do mundo civilizado.
A ausência de investimento na educação pode levar um povo ao retorno das cavernas, brutalizando-o. Pode até mesmo levá-lo à extinção, como se fez com civilizações antigas do nosso continente.
Conscientizemo-nos de que num país onde se cobra o maior imposto do mundo, superando os 36% do PIB, não se justifica abandonar a educação. Mas, para o infortúnio geral da nação brasileira, mormente no Paraná, não se tem registro de que tenham existido gestões governamentais de visão necessariamente ampla na área da educação. E quando a semente é ruim, o fruto, com certeza, não terá qualidade.
Quem no passado não construiu escola e não valorizou o professor, hoje, por força disso, constrói hospitais e presídios; porque o homem educado tem 70% menos chances de ficar doente. E, na competição para subsistência, a briga prevalece entre idéias. A vitória de um sobre outros se caracteriza na melhor performance da formação educacional e da eficiência produtiva; nunca na força bruta ou de uso de armas mortais.
Um olhar retrospectivo faz-nos contemplar fatos que provocam arrepios. Já há uns dez anos (16/09/93), o articulista da Folha de Londrina, Luiz Geraldo Mazza, escreveu em sua coluna diária, a seguinte verdade: ''Alvaro Dias degradou de forma selvagem a educação do Paraná''. O colunista fazia referência ao fato histórico de 30 de agosto de 1988, quando aquele governo lançou bombas e cavalos sobre indefesos professores, ferindo-os fisicamente e causando profundas cicatrizes na educação do Paraná. Se aquele governo tivesse tomado como exemplo a educação no Japão pós-guerra, mesmo sem curvar-se diante dos mestres, como fez aquele imperador, devia tê-los respeitado como agentes transformadores e propulsores do progresso, capazes de libertar um povo, civilizando-o. Então, ele, o governo, voltaria ao poder quando quisesse, sem preocupações de construir presídios e reformar hospitais.
Mas, se nas gestões passadas, por qualquer motivo, não foi possível priorizar a educação, hoje, precisamos de idéias alternativas ou copiar modelos de países como Japão, Suécia, Canadá entre outros. Lá os hospitais, geralmente, permanecem ociosos e o índice de assassinatos é insignificante. Por quê? Porque os governantes desses países sempre souberam investir na educação. Hoje, colhem saborosos frutos desse investimento.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor em Londrina


