Apesar da maioria dos casais reconhecerem que a cada dia tem se tornado mais difícil e complicado a boa convivência a dois, poucos percebem que os modelos tradicionais de relacionamento são insatisfatórios e causam sofrimento.
É preferível viver frustrado e com alguma dose de sofrimento pela acomodação e monotonia afetiva e sexual do que enfrentar o desconhecido. Acontece que pouca gente tem coragem de enfrentar ou tentar o novo.
A situação nova assusta, dá medo, mas mesmo assim é preferível recorrer ao que já é conhecido. Algumas pessoas racionalizam de tal forma que acham que irão trocar seis por meia dúzia e assim, é melhor ''continuar juntos''.
É possível entender esse processo desgastante quando você constata que existem infinitas regras e concessões a serem feitas num relacionamento, mas que tornam a vida sem graça e sem significado.
O exemplo mais comum é quando você observa um casal num restaurante, num silêncio tão absoluto que lhe dá a certeza, e às vezes ao próprio casal, que existe uma total falta de interesse de um pelo outro e que eles não tem mais nada para conversar.
Na área sexual, esse silêncio ainda é maior e angustiante. Quando fazem sexo (ocasionalmente) é uma forma de reafirmar que o casamento ou a vida ainda não acabou. O sexo é mecânico e destituído de prazer. As mentiras e fingimentos encontram espaços intermináveis para justificar a falta de interesse sexual.
Os mais conservadores ou despreparados para essa realidade, vivem exaltando que antigamente na época dos pais e avós era muito mais fácil viver a dois. O casamento era para sempre e sentir-se seguro e protegido dentro do lar era o que realmente importava.
O sexo era para reproduzir, ter filhos, o prazer sexual nem se conhecia e as opções de lazer eram limitadas. Nos dias atuais os interesses e apelos são intensos e existem muitas coisas para serem descobertas fora de casa.
Atualmente o elemento mais perturbador na vida a dois é a possibilidade que cada um tem em conhecer e conviver com outras pessoas. Antigamente, o núcleo familiar era fechado e no máximo era possível conviver com parentes próximos.
A vida a dois se mostra vulnerável por todas essas chances de expansão e o crescimento pessoal depende apenas parcialmente do(a) parceiro(a). Para a manutenção e bem estar do relacionamento entre pessoas é necessário estar atento a todos esses controles e imposições e buscar nossas formas de ser e de pensar para que cada um tenha sua identidade e amor próprio.
Vale a pena nos dias atuais, fazer tantos sacrifícios e passar por tanto sofrimento para ter uma pessoa ao seu lado que não a respeite ou valorize?

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br

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