Os números do desemprego no País, que bateu os 12,8% em março, aumentaram a nuvem de pessimismo em todos os setores da sociedade. Diante do quadro negativo, é cada vez mais importante que haja o reconhecimento dos setores que contribuem para o desenvolvimento da produção, geração de renda e empregos. É aí que se destaca o papel do movimento cooperativista, cuja importância o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já reconheceu publicamente.

O fato é que, hoje, o Brasil conta com 7.355 cooperativas de 13 ramos, somando mais de 5,7 milhões de associados, além de gerar cerca de 182 mil empregos diretos. As cooperativas de todos os ramos já representam 6% do PIB brasileiro e, no ano passado, as exportações do segmento alcançaram US$ 1,09 bilhão.

A primeira cooperativa brasileira foi fundada em 1902. Passados 102 anos, nossas cooperativas agropecuárias respondem por parcela ponderável da produção brasileira de soja ou trigo. As cooperativas de crédito, uma alternativa real de financiamento a custos módicos, nesses tempos de juros estratosféricos, já contam com 2.137 pontos de atendimento em todo o país. Entre aqueles que são beneficiados por seus empréstimos certamente estão muitos dos 11 milhões de brasileiros que recorrem a cooperativas médicas ou dos três milhões de usuários dos serviços de cooperativas odontológicas.

As 2.024 cooperativas de trabalho espalhadas pelo país, que constituem uma alternativa real ao desemprego, flagelo de quase 12% da população economicamente ativa do país, geram centenas de milhares de postos de trabalho. E muitos trabalhadores beneficiados utilizam os cinco mil veículos da verdadeira frota nacional das cooperativas de transporte. Talvez seus filhos também se alinhem entre os mais de 11 mil alunos das escolas cooperativas, que vêm apresentando ao país um outro caminho, equidistante do ensino público em crise e do ensino privado ultra-inflacionado.

Cooperativas habitacionais estão construindo cerca de dez mil unidades em diversos Estados. Muitas delas serão servidas pelas redes elétricas das cooperativas de infra-estrutura, que já somam 115 mil quilômetros. Enquanto isso, as cooperativas de consumo (apenas uma delas, em São Paulo, tem mais de um milhão de associados) contribuem decisivamente para regular preços de gêneros básicos, ao eliminar intermediários entre o produtor e o consumidor final. E cooperativas de teatro lotam, a preços justos, platéias de cidades de todos os portes.

O movimento cooperativista tem muito que mostrar. E pode mostrar muito mais, desde que haja políticas públicas que não travem nosso desenvolvimento. Queremos ser considerados como o que de fato somos: entidades sem fins lucrativos, que distribuem seus resultados, reduzindo a fratura social brasileira. Queremos ter direito a financiamentos em condições não inferiores às das grandes empresas. Queremos que linhas de financiamento permitam que as unidades habitacionais que construímos possam ser adquiridas pelos associados de nossas cooperativas de trabalho.


MARCO AURÉLIO FUCHIDA é superintendente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB)

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