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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 28/02/2022, 16:16

ESPAÇO ABERTO - A democracia e a política em curso

Ser democrata é utilizar os instrumentos civilizatórios mais avançados que adquirimos ao longo da história

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Paulo Bassani e Gabriel Barbosa Bassani
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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A democracia tem como fundamento evitar a guerra e a política tem como função evitar a violência. Tanto a democracia quanto a política se estabelecem nos diálogos entre diferentes, não inimigos, mas de pessoas que possuem diferentes visões de sociedade e constroem suas narrativas e, sobre elas, as suas formas de viver.

Hoje, esses dois campos, essas duas dimensões estão ameaçadas. Faz-se política utilizando a linguagem da guerra e da violência, do ódio e este formato não contribui em nada para os avanços democráticos. A democracia instala a civilidade e a política orienta o debate entre a diversidade, entre os diferentes e, estabelece as bases da igualdade na diferença. Sempre houve uma tensão na sociedade divida entre as varias visões, interpretações e interesses de mundo. Mas há algo que nos une como seres humanos, são os diálogos civilizatórios, entre seres pensantes, seres que possuem a capacidade de pensar e de interpretar, imaginar e criar.

Ser democrata é utilizar os instrumentos civilizatórios mais avançados que adquirimos ao longo da história, para as conversações, para os tratados, para os acordos, e não permitir que retrocessos autoritários, antidemocráticos possam ganhar espaço na esfera pública. Tudo com o fim de estimular com que os cidadãos possam participar e ou, sentir-se representados pelos seus mandatários escolhidos, na elaboração, na aplicação e na avaliação das políticas públicas.

Criar e cultivar ambientes dialógicos são um amadurecimento democrático necessário no senado, no congresso, nos estados e nos municípios, assim como em todas as instâncias da sociedade para o debate. Hoje um grande palanque destes diálogos, destas narrativas são as redes sociais. Nelas há avanços, como uma série de problemas, é preciso estar atentos e definirmos os limites destas narrativas.

Ainda vivemos uma democracia de baixo teor, puramente representativa, não participativa, e tão pouco popular. Ela pode e deve ser sempre melhorada em todos os níveis, em todos os padrões. Votar é importante, porém tão importante e fundamental, é a participação ao longo de todo o processo que se inicia bem antes da eleição e tem continuidade no acompanhamento e diálogos permanentes com os mandatários eleitos.

O problema da democracia do Brasil de hoje não é do voto ser eletrônico, isso já está legitimado e consolidado. Trata-se de ser uma democracia de baixa intensidade, baixa participação e controle popular, esta foi à maneira como o sistema hegemônico encontrou para convencer às maiorias que esta é a melhor forma de democracia. Não pensamos assim, temos muito que avançar nesse construto. Pelo caminho on-line, pelo contato direto, a população em geral deve se envolver debatendo suas preocupações, sua visão de mundo. Juntos representantes e representados devem elencar uma serie de tarefas fundamentais para estabelecer os processos participativos decisórios sob a forma de governança dialógica, participativa, horizontalizada.

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Este é um exercício permanente no construto democrático, um caminho de avanços emancipatórios em busca de modelos que possam ser continuamente elaborados e reelaborados no sentido de ampliação do gosto e da pratica democrática no sentido amplo. E não esquecer que o representante eleito é um “servidor público” e que o interesse público deve ser o único enquanto exercer esse ou aquele cargo.

Paulo Bassani é sociólogo, escritor e professor universitário;  Gabriel Barbosa Bassani é geógrafo formado pela UEL

Foto: iStock

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