O governo federal lançou o projeto ''Brasil Livre da Aftosa'' para erradicar de vez a doença do território nacional. Em outubro foi vacinado o rebanho de seis estados do Norte e Nordeste em situação mais crítica. Neste mês, até o dia 21, a campanha estende-se aos outros estados brasileiros, considerados quase totalmente livres da doença.
O Paraná tem buscado, incansavelmente, a qualidade da carne. O Estado já é considerado território livre da aftosa, faz parte da zona exportadora, e um trabalho sério e profícuo tem sido feito no sentido de promover a padronização, organização dos produtores e integração entre criadores e indústria.
Combater a aftosa é uma batalha antiga e inglória. A doença tem sido motivo de pesadelos para os produtores brasileiros, pois pode provocar perdas de até 50% do rebanho. Se isso já é motivo de sobressalto, há ainda o fato de que, diante do cenário atual, a perda de um único animal pode pesar mais que um rebanho inteiro.
É o caso do recente embargo russo à nossa carne. Um fato isolado foi detectado no Estado do Amazonas, que não é exportador. A preocupação sanitária, porém, é somente um dos fatores determinantes no intrincado jogo do comércio internacional.
O embargo russo tem representado perdas de cerca de US$ 4 milhões ao dia, num total acumulado de quase US$ 200 milhões. Mesmo assim, somos hoje o maior exportador de carne bovina e nos dois últimos anos, a exportação dobrou. De setembro de 2003 a agosto deste ano faturamos US$ 2,2 bilhões, e essa cifra pode ainda dobrar até dezembro.
Hoje, mais da metade do rebanho bovino é considerada livre da aftosa. Se, assim, a nossa carne tem trazido tantas divisas, podemos nos inquirir qual será o limite para o País com a erradicação da peste.
Pelo trabalho alcançado, cumprimentamos todos os pecuaristas que têm abraçado esta luta. Mas por outro lado, fazemos um alerta: a simples desídia de alguns tem deixado escapar à vacinação animais que representam uma grande ameaça ao País. Há a necessidade, pois, de que haja punição severa para aqueles que, deliberadamente, fogem ao dever de proteger a Nação. Para esses, há de se aplicar as penalidades previstas em Lei.
Para nossa satisfação, foi aprovado este ano, na Câmara Federal, o projeto de lei 3.908/00, de nossa autoria, que institui penalidades severas ao produtor que deixar de notificar às autoridades a presença de febre aftosa em seu rebanho, ou deixar de vacinar, impedir ou dificultar a aplicação de medidas sanitárias relativas à doença. Portanto, temos tudo para conseguir êxito na empreitada: obstinação, determinação e cooperação.
ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PTB do Paraná

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