ESPAÇO ABERTO - A conquista da liberdade e do prazer
Hoje, sexo é uma palavra presente em toda a mídia. Na internet, o tema é um dos mais acessados. Na televisão, no cinema, nas revistas, na literatura: em todo o lugar, o assunto aparece, às vezes até com uma certa insistência. Apesar disso (e talvez até por causa disso), as pessoas ainda se mostram tímidas para encarar, de frente, seus problemas ligados ao afeto e à sexualidade.
Há cinquenta anos, esse comportamento era mais comum na mulher, que via o sexo como obrigação, um ingrediente incorporado na receita do casamento sem nenhuma pitada de fantasia, liberdade ou ousadia. Ao contrário: os temperos principais eram o conformismo e o medo. Por terem recebido uma educação repressora, cheia de mitos e tabus, essas mulheres acreditavam que era normal não ter prazer no sexo.
Os anos 60 e 70 trouxeram a revolução feminista e a descoberta do orgasmo. Foi um alívio para as mulheres. Elas também conquistaram o mercado de trabalho e passaram a viver de forma mais livre. Hoje, em pleno século 21, pode-se dizer que a luta é outra. A mulher batalha para conseguir ser tantas em uma só: mãe dedicada, esposa presente, amante sensual, profissional reconhecida, companheira dinâmica... Mas, mesmo com tantos ganhos e conquistas, fica claro que ainda falta alguma peça para ser encaixada nesse intrincado quebra-cabeça da vida.
Não é à toa que muita tinta e papel foram gastos para discutir a emancipação da mulher, suas lutas e conquistas, o direito à sexualidade e ao prazer, apesar de todas as restrições de uma sociedade que sempre valorizou o macho. A trajetória feminina quase sempre foi carregada de incertezas e medos, com itinerários muitas vezes imprevisíveis.
Ainda assim, com todas essas dificuldades, elas sempre mantiveram o desejo de crescer, evoluir e transformar o mundo para melhor. Confrontadoras, guerreiras, cheias de garra e coragem, persistentes, ousadas, livres, criativas, conciliadoras, pacientes, seguras, generosas. São muitos - infindáveis - os atributos da mulher. E hoje ela convive em uma sociedade neurótica, em que precisa dar conta de inúmeros papéis, alguns deles até bem questionáveis.
Afinal, como é possível se tornar, ao mesmo tempo, uma profissional bem-sucedida, esposa, amante, uma mulher com o corpo estonteante e malhado, uma pessoa bem-informada e moderna? Essa pressão causa mais e mais ansiedade e só atrapalha o crescimento da mulher. Mesmo sendo uma heroína no seu cotidiano, ela deve se despir dessa fantasia de supermulher. Infelizmente, muitos homens ainda não se deram conta do crescimento das mulheres e sua vocação para a felicidade e preferem negar essas importantes conquistas.
É preciso refletir sobre os papéis femininos, as transformações das últimas décadas e mostrar que a busca por uma vida mais feliz, prazerosa e plena é um projeto possível, não só da mulher, mas de todos nós.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo





