ESPAÇO ABERTO - A ciência homeopática
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Rosana Mara Ceribelli Nechar 
As palavras veiculadas no espaço aberto, por um médico de Maringá, no último dia 23, sob o título de ''Homeopatia e duendes'', merecem um esclarecimento, para que os leitores não se fixem em critérios e conceitos escritos por quem não vivencia a medicina homeopática.
Os medicamentos homeopáticos incomodam alguns médicos que não os utilizam em sua prática, por não terem seus efeitos explicados pela ciência clássica. Dr. Samuel Hahnemann, médico alemão criador da Homeopatia, incomodou muito os cientistas de sua época, por demonstrar experimentalmente os efeitos das substâncias ultradiluídas em benefício da saúde de seus pacientes. Assim como incomodaram também em suas épocas Copérnico, Kepler, Newton, Plank, Boltzmann, Einstein. O mesmo aconteceu com a mecânica quântica em relação à mecânica newtoniana.
O fato de ser portadora de uma prática onde alguns de seus passos não estão totalmente explicitados, apenas coloca a Homeopatia como uma grande interrogação a ser resolvida e não a ser denegrida. A verdade não está apenas naquilo que entendemos ou pensamos que conhecemos, ela sempre vem ''a posteriori'' na história da ciência.
É estarrecedor como a Homeopatia, especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980, ainda receba tamanho desrespeito, em ato antiético de alguns colegas médicos que atuam na ciência das doenças.
É inaceitável que a Homeopatia, arte de curar que beneficia inúmeros pacientes ainda receba conotações de ''magia'' e ''bruxaria'', com a clara intenção de desclassificá-la.
A Homeopatia não é anticientífica, sendo estruturada em leis e princípios que advêm da época de Hipócrates, médico grego considerado o pai da Medicina, que descreveu a cura pelos semelhantes, fundamento principal da ciência médica homeopática. É um sistema terapêutico que se propõe a tratar os pacientes, humanos e animais, utilizando uma lógica que contempla a complexidade dos seres vivos, com racionalidade própria, que não se enquadra na visão reducionista das especialidades médicas. Aborda o ser vivo em sua integralidade, sob a ótica sistêmica e complexa. Pode-se dizer que o sistema terapêutico homeopático, criado na Alemanha no final do século XVIII, se insere num contexto de tal modernidade, que chega até nós praticamente inviolado, fato que é bastante notável.
No Brasil mantém-se como especialidade médica por lei e direito, sendo recomendada pela Organização Mundial de Saúde. É procurada pelos pacientes em número crescente, exaustos de serem vistos em suas partes, com suas doenças migratórias, muitas vezes em decorrência de medicamentos ''cientificamente'' pesquisados por laboratórios farmacêuticos. Adentra nas escolas médicas, estando presente na grade curricular do ensino médico em 22 universidades brasileiras, como disciplinas obrigatórias ou optativas, marcando presença no ambulatório do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Londrina desde 2003.
Está presente no sistema público de saúde em dezenas de municípios brasileiros, amparada pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, aprovada pelo Ministério da Saúde, através da portaria 971 em maio de 2006, espalhando-se de forma crescente e irreversível Brasil afora.
É inacreditável a ignorância que ainda permeia alguns profissionais da saúde com relação à Homeopatia. Acredito na nova ciência. Acredito no aporte extraordinário que a Homeopatia acopla à medicina tradicional. Acredito nas novas possibilidades que a ciência vem trazendo em benefício da qualidade de vida dos pacientes. Não acredito em duendes!
ROSANA MARA CERIBELLI NECHAR é médica especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira e membro do Departamento de Homeopatia da Associação Médica de Londrina.
9929-8341/3376-3232


