ESPAÇO ABERTO - A cegueira da política partidária
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terça-feira, 09 de novembro de 2004
Arthur Conceição 
Os dirigentes do PMDB paranaense saíram com a cabeça quente nestas eleições. De certa forma, a sigla perdeu a confiança da sociedade curitibana. Insistiram não ter candidatura própria na capital e, com certeza, o punho firme e as palavras de Ulysses Guimarães foram esquecidos. As diretrizes do partido foram rasgadas e novas lideranças foram afogadas. Perderam o deputado federal Gustavo Fruet, um nome que poderia ser alternativa e, ainda por cima não avaliaram a cultura da base peemedebista.
Está na hora do PMDB rever o que é um partido político. Dentro de qualquer agremiação partidária existem sentimentos, ideologias e seus filiados devem ser escutados. Como já dizia Antônio Gramisci, escritor italiano, ''na política deve-se primeiro prever para depois poder''. Faltou teoria daqueles que querem fazer política. E só analisar a lista de políticos, que nos últimos tempos, ingressaram no PMDB/PR, para obter vantagens do governo estadual. Como na década de 1980, passou a ser mais uma vez usado pelos fisiologistas de plantão. Os rachas internos no PMDB como no PT, só fizeram enfraquecer a esquerda estadual.
Em política, toda e qualquer postura tem o seu respectivo ônus. Há espaços para a construção de outras opções! Afinal, os partidos não são sinônimos de poder, muito menos dos profissionais da política e é sim um ambiente que precisa ter o respeito mútuo. Não abrir espaço para novas lideranças é postura dos governos ditatoriais. Agora, passada às eleições, é momento de interpretar o que disseram as urnas. Na concepção do filósofo alemão Max Weber, na política ''os fins justificariam os meios'', isto é, cada ação é julgada pelos seus resultados. A divisão entre ética da convicção e ética da responsabilidade, proposta por Weber, vai nessa direção. Pois bem, as ações políticas são consideradas como ''a arte do possível'', mas quando há uma colisão certeira e harmoniosa.
A eleição municipal já é página virada, mas serviu de lição para aqueles que fazem oposição em Curitiba. A mudança só virá com estratégias planejadas e aclamadas por aqueles que fazem do partido uma filosofia de vida. Portanto, demonstrou-se que as opiniões não devem ser colocadas goela abaixo dos partidários. Todos aqueles que colocaram uma idéia a favor de um grupo sentiram o verdadeiro gosto da derrota na proporcional e na majoritária. No domingo das eleições, muita lágrima caiu ao solo. Mas o triste mesmo é ver o sol do PMDB perder o brilho, e do lado do PT ver a estrela perder seu verdadeiro sentido. E só analisar o panorama nacional, pois o PMDB conquistou apenas duas capitais: Campo Grande e Goiânia. O partido virou reboque de outros.
Parlamentares como André Passos (PT), Dr. Rosinha (PT), Paulo Salamuni (PMDB), Rafael Greca (PMDB), foram considerados os rebeldes pelas suas siglas por terem contestado a coligação ''Tá na Hora Curitiba''. Quem leu o mito da Caverna de Platão vai entender o que eles sofreram. Enfim, a lição é essa: as vozes contrárias precisam ser ouvidas, analisadas e não suprimidas.
ARTHUR CONCEIÇÃO é cientista político em Curitiba


