ESPAÇO ABERTO - A cada duas horas uma mulher é morta no Brasil
As políticas públicas estão sendo insuficientes para conter esse brutal crime contra a vida humana
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segunda-feira, 09 de março de 2020
As políticas públicas estão sendo insuficientes para conter esse brutal crime contra a vida humana
Sueli Aparecida Lopes Braga 
A cada duas horas uma mulher é morta no Brasil
Parece-nos contraditório, no entanto, a despeito da marcha da história da humanidade, pois a cada duas horas uma mulher é morta no País, e pior, no Paraná, a cada 36 minutos uma mulher é morta.
Essa ironia contraditória se destaca, pois a maioria dessas mulheres que tiveram suas vidas roubadas precocemente, foram mortas pelas mãos de seus companheiros, namorados ou ex-maridos, ex-namorados. Essas mulheres foram exterminadas, muitas vezes sem nenhuma chance de defesa, por companheiros que diziam amá-las, que um dia lhes fizeram promessas de amor e respeito.
Os dados são alarmantes, pois de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa de feminicídios no Brasil é de 4,8 para cada 100 mil mulheres, sendo a quinta maior do mundo. Vale lembrar que foi apenas em 2015 – que o feminicídio tornou-se crime hediondo no Brasil (Lei 13.104, de 2015).
No Paraná, de acordo com o MP (Ministério Público) registram-se em média 13 casos de feminicídio e de tentativas do crime por mês, de março de 2015 (quando a lei entrou em vigor) a março de 2018.
No entanto, ao observar as manchetes das notícias de 2020, fica fácil perceber que o feminicídio está sendo praticado violentamente contra as mulheres, não somente no ambiente doméstico, mas a olhos vistos nas ruas, praças, repartições privadas e públicas por todo país.
As mulheres são insistentemente aniquiladas pelas razões mais banais em diferentes situações, na frente de seus filhos, ou de demais testemunhas, num verdadeiro escárnio a qualquer sociedade civilizada.
Homens violentos, possessivos, ciumentos, em condições normais de sobriedade, ou motivados pela ingestão de drogas e bebidas alcoólicas ceifam a vida de mulheres, as quais eles julgam ter a posse e guarda. Assombroso diagnóstico de uma civilização doente, marcada pelo ódio e violência como metodologia de sobrevivência.
As políticas públicas estão sendo insuficientes para conter esse brutal crime contra a vida humana. As estruturas da “rede de proteção “ que acolhem as mulheres que pedem ajuda estão insuficientes, sejam em número de psicólogos, assistentes sociais, policiais, delegadas das delegacias das Mulheres, nos hospitais e casa de apoio às mulheres !
A cultura machista ainda persiste entranhada na sociedade democrática liberal, com resquícios da herança patriarcal !
Enquanto esses dilemas seguem sem respostas, as mulheres continuam vítimas dessa prática selvagem: assassinadas por indivíduos que as têm como inferiores e frágeis, passíveis de serem abatidas!
No momento, de retorno à teocracia, onde as religiões estão aliadas a governos, resta ensinar a esses ditos "homens de bem” - ou "quase cristãos” – que matar além de crime é também pecado.
Sueli Aparecida Lopes Braga é professora em Londrina


