ESPAÇO ABERTO - A Biotecnologia na nutrição e na saúde pública
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de janeiro de 2005
Durval Ribas Filho 
Num futuro muito próximo, a biotecnologia poderá beneficiar o consumidor com produtos com mais nutrientes e que ajudem na prevenção de doenças crônicas. A biotecnologia envolve processos que utilizam agentes biológicos, técnica existente há milhares de anos, desde a descoberta da fermentação de pães, queijos e bebidas. Com a descoberta da estrutura do DNA e a decodificação do genoma foi possível desenvolver uma insulina mais acessível, hormônio do crescimento, vacinas, medicamentos, plantas transgênicas e até terapias com célula-tronco.
Apesar de ter como base a mesma técnica, a presença de transgênicos nos alimentos ainda provoca questionamentos sobre seus supostos efeitos nocivos à saúde. Poucos sabem que são gastos em média de 7 a 8 anos de estudos até o lançamento no mercado de produto transgênico. A FAO, agência das Nações Unidas, e a Organização Mundial de Saúde desenvolveram o critério de equivalência substancial, que tem orientado a análise de segurança alimentar dos transgênicos, considerados tão seguros quanto os convencionais de acordo com este padrão. Mais de 60 países conduzem pesquisas com plantas transgênicas e, no Brasil, 114 instituições públicas e privadas investem em pesquisas envolvendo a biotecnologia.
Os destaques são os três estudos em desenvolvimento com a soja transgênica pela Embrapa: introdução na planta de gene que possibilita a produção do hormônio do crescimento que é muito caro e, portanto, de difícil acesso à população em geral; introdução do gene de um anticorpo para prevenir alguns tipos de câncer e a retirada de um fator antinutricional da soja chamado fitato, que impede que o fósforo seja aproveitado na alimentação. No futuro será possível ainda aumentar o teor de aminoácidos em cereais e leguminosas, alterar a quantidade de vitamina E no óleo de soja, dispor de arroz e milho naturalmente fortificados com vitamina A e Ferro, o que ajudará no combate à anemia, e soja e canola enriquecidos com Ômega-3, que auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares.
Tudo isso só vem comprovar que a biotecnologia é parte fundamental na história da evolução dos seres vivos e, portanto, precisa ser estimulada. Informar a população sobre seus avanços e benefícios é o papel da classe científica.
DURVAL RIBAS FILHO é professor-doutor de Pós-Graduação em Nutrologia da USP de Ribeirão Preto e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran)


