ESPAÇO ABERTO - A arena política de Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2012
Renato Eder Munhoz <br> 
Não é à toa que a Câmara de Londrina disponha de um espaço com tal formato. A arena política, o areópago grego, palco das grandes discussões e decisões. Por esses dias ganha ainda mais ênfase. Escolham seus lugares, o julgamento vai começar.
Simpatizantes e não simpatizantes do prefeito Barbosa Neto terão suas cadeiras cativas, seu espaços reservados, a democracia mais uma vez sendo vivenciada, podemos ter a livre escolha inclusive de emitirmos nossa opinião.
Aqui não impera o categórico revolucionário: Se hai gobierno soi contra, pelo contrário, há a disposição de aceitação das ideias, por mais que possam parecer incoerentes tanto de um lado da arena quanto do outro.
A praça política ganha visibilidade, pois ali deve ser decidido não apenas o futuro de uma cidade, mas a vida de um povo, a política desde seus primórdios, serve de instrumento para garantir o bem comum da polis, da cidade. Os cidadãos livres, é claro, acompanhavam de perto o futuro e contribuíam na possibilidade de apontar os melhores rumos para a cidade.
Londrina vive momento histórico, às portas da segunda cassação de prefeito, faz a discussão política chegar às esquinas e praças, cada cidadão e cidadã apresenta sua opinião. São as mais variadas, desde aquele que finge não estar sabendo de nada, até aquele ou aquela que acredita que o prefeito seja culpado e deva ser julgado em praça pública. Ainda bem que não temos a forca como penalidade.
O fato é que tudo o que está acontecendo revela o espírito democrático. A participação política nesse sentido é fundamental. Só teremos opiniões verdadeiras ou que nos convençam de uma verdade mais aproximada daquilo que acreditamos se nos aproximarmos da arena e ouvirmos as falas e os porquês.
Só chegamos a esse momento de decisão porque algumas evidências foram apontadas. Aquele que se coloca sob a égide de governante desde os tempos do Antigo Testamento deve zelar pelo cuidado da vida do povo.
A Filosofia, as ciências humanas de maneira geral até os tempos atuais se ocupam de ajudar a zelar por esse cuidado, a ética deve ser um imperativo de todos, mas sobretudo daqueles que têm nas mãos a vida de milhares de cidadãos. Isso parece não ter acontecido conforme apontam os papéis.
O gestor de um município deve ser o cuidador, aquele que com sua equipe técnica busca elevar a condição de serviço e sobretudo do zelo pela vida de seu povo. Os cristãos de maneira geral tem no Cristo maior modelo de servidor, pois na condição de mestre lavou os pés de seus discípulos. Fica o exemplo. Se na gestão aqueles que estão colaborando para ela fogem ao modelo deverão ser execrados do espaço político, pois nesse lugar não há espaço para favorecimentos pessoais, nem para pessoas gananciosas.
Parece utópico pensar um modelo de gestão, onde tenhamos os princípios da verdade e da justiça como verdades absolutas. Mas o que está acontecendo nesses últimos tempos no município de Londrina, deve servir de exemplo, de que não acessemos o espaço da arena política para assistir aos espetáculos de execução e julgamento.
Essa disputa por senhas e por um lugar, deve revelar de que nosso espaço de participação política sempre esteve ali nos esperando. E que muitas vezes permaneceu vazio, em momentos de grandes decisões inclusive. Ocupar esse lugar político deve ser tarefa de todos nós. Não dá para esperar apenas momentos como este. Inclusive para evitar momentos assim.
RENATO EDER MUNHOZ é educador teólogo em Londrina
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