Não é novidade que o cenário político brasileiro anda em crise. Vejo as pessoas atribuírem isso principalmente à esquerda, chegando a extremos de dizer que deveriam os partidos ideologicamente assim classificados serem banidos. Acredito que a conversa sobre política começa errada quando se atribuem tanto à esquerda como à direita a responsabilidade por episódios históricos e negativos que quase dizimaram a humanidade, seja pelo genocídio, seja pela sobreposição da doutrina partidária em detrimento dos indivíduos humanos.

O problema decorre da condição totalitária ou autoritária que os regimes adotam quando têm o poder. Não vou falar aqui de qual é o melhor ou o pior lado da moeda, muito menos, defender que precisamos de uma nova esquerda ou de uma nova direita. Temos que lutar pelo direito de continuar a escolher, defender a democracia.

Prefiro pensar que precisamos é de uma nova política, que seja capaz de coadunar os aspectos da Constituição Federal no plano prático de governo com as reais necessidades das pessoas. Após a redemocratização, as experiências políticas têm se demonstrado fracas, uma vez que não é dada a devida importância ao aspecto de conciliar o desenvolvimento do País com as necessidades sociais e as possibilidades econômicas.

Ocorre que, desde o Plano Real, pouco se discutiu sobre os rumos que seriam tomados após uma guinada econômica que foi capaz de estabilizar a inflação e dar às pessoas a sensação de que seria possível viver do próprio trabalho com mais segurança. Não se atrelou a esse aspecto um importante objetivo que é dado à República Federativa do Brasil: a erradicação da pobreza e da marginalização, bem como a redução – que deveria ser erradicação também – das desigualdades sociais e regionais, conforme a Constituição determina. Ocorreu o domínio do capital sobre as pessoas, gerando aumento da desigualdade, já que os programas sociais não foram universalizados o suficiente.

Em 2013, as manifestações que demonstraram a força do povo e um amadurecimento da democracia, já que foi ali entendido o papel de exigir uma representatividade à altura e legítima dentro dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a classe política não respondeu bem a essa reivindicação popular.

Acompanhamos em 2014 uma das mais mórbidas disputas eleitorais, onde o principal foi deixado de lado: o que fazer com o Brasil e como não perder o que até agora foi conquistado? Ocorreu uma verdadeira guerra de clãs entre a direita e a esquerda e nós, o povo, fomos utilizados como o instrumento.

Dilma já assumiu em 2015 sem mandato, pois não fez a previsão de como conciliar os aspectos sociais com a economia. E se Aécio tivesse levado a melhor na apertada disputa, o impeachment teria ocorrido do mesmo jeito, pois o presidenciável também não se preocupou com os problemas suportados pelos brasileiros.

Com isso, ficou totalmente descoberto o presidencialismo de coalizão, enfim podemos ter uma noção do que acontece, de onde vem e para onde vai o que as pessoas produzem. O jogo de cargos ficou evidente e não é atributo nem da direita e nem da esquerda, a busca inescrupulosa por um lugar ao sol acontece diante de nossos olhos e uma reformulação do quadro político é urgente para lançar mão de medidas eficazes de melhorias.

Daqui até abril de 2018, o prazo é apertado para obter uma virada política capaz de reverter a situação atual; nos restam a esperança e o bom senso para que nos próximos quatro anos seja possível reconquistar o status social e melhorar a aplicação dos índices econômicos de forma que todas as pessoas consigam ser beneficiadas, especialmente os desempregados e os que não conseguem fazer frente às suas necessidades primárias, abrindo as portas para a inclusão e fechando-as para a corrupção.

VINÍCIUS ALVES SCHERCH é advogado em Bandeirantes

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