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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 27/06/2022, 00:00

ESPAÇO ABERTO - A Amazônia não é o pulmão do mundo

A Amazônia corre sérios riscos e a maneira de continuarmos com ela, seria uma exploração sustentável

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de junho de 2022

Nélio Roberto dos Reis
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Quando você fala para alguém que não estudou física e filosofia, e fala que o tempo não existe, ela não vai entender e talvez nem acreditar. Quando você fala para quem não conhece biologia que a Amazônia não é o pulmão do mundo acontece a mesma coisa. A Amazônia consome todo o oxigênio que produz, pois está em equilíbrio. Quem produz oxigênio para a terra, são as algas marinhas, que estão em constante crescimento, e produzem oxigênio de sobra.

A importância da Amazônia, além da mega diversidade, é que a sua queima aumenta a emissão de gases. Neste processo físico, uma parte da radiação infravermelha emitida pela superfície da terra é absorvida por gases do efeito estufa presentes na atmosfera e a temperatura da terra aumenta. Então, não poderia ser queimada/destruída.

Embora a temperatura tenha esfriado e esquentado muito nos seus bilhões de história, causando até extinção dos dinossauros, mesmo sem a interferência humana, afinal o Homo sapiens só tem 300 mil anos de existência, está agora aumentando (não tanto como falam) com contribuição antrópica.

E se continuar acontecendo, em detrimento da humanidade, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), com a desculpa de proteger a sobrevivência, poderia tomar a Amazônia e torná-la patrimônio da Humanidade, devido à incapacidade do Brasil de preservá-la e não teríamos forças suficientes para impedir. Por muito menos, os Estados Unidos invadiram outros países nestes últimos anos, assim como a Rússia faz agora com a Ucrânia. E não adiantaria em nada continuar falando que a Amazônia é nossa se mal somos capazes de protegê-la.

Ativistas, ambientalistas e governos estrangeiros, já questionaram inúmeras vezes a soberania do governo brasileiro sobre a Amazônia, devido a nossa incapacidade de proteger.

Há pouco, o presidente da França, Emanuel Macron, falou da possibilidade de se conferir um status internacional para a Amazônia, declaração durante a cúpula do G7  (grupo das sete  mais industrializadas economias do mundo que inclui Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão, França, Reino Unido e Itália). 

Por volta de 1850 , o tenente da marinha americana, propôs a exploração do rio Amazonas ao seu governo , dizia ele no livro: “Quem deve povoar o poderoso rio Amazonas, um povo imbecil e indolente ou uma raça empreendedora?”. Houve também, a proposta de criação do Instituto Internacional da Hileia Amazônica feita em 1940 pelo químico P. B Carneiro.

Recentemente, o candidato a presidente do Estados Unidos, Al Gore falava “a Amazônia, pertence a todos nós”, com a justificativa que vastos incêndios na Amazônia provocados pelos brasileiros estão associados ao aquecimento global. Dizia ele: ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é deles, mas pertence a todos nós.

Há exatos três décadas, Francois Miterrand, na época presidente da França, numa conferência em Haia (Holanda) sobre problemas do meio ambiente, queria criar uma autoridade internacional capaz de punir crimes ecológicos, iguais aos que acontecem com a floresta.

Nos anos 1990, líderes da União soviética, Reino Unido e EUA questionaram novamente a soberania da Amazônia (artigo de Delfin Neto publicado na folha de São Paulo em 2004).

Uma frase que serve em muitas situações: “Quem não cuida dos seus tesouros preciosos, perde”. Não adianta um governo não roubar e ser honesto, isto não é qualidade é obrigação. Um governo deveria ser inteligente, precavido, responsável e conhecedor da importância dos nossos preciosos bens.

As mudanças são inevitáveis, mas no Brasil existem campeões da falta de razão. A Amazônia corre sérios riscos e a maneira de continuarmos com ela, seria uma exploração sustentável. Para ganhar com ela, sem destruir, temos a tecnologia. Estamos fazendo como faziam os primeiros colonizadores, primitivos, queimar e colocar boi, a maneira menos lucrativa e inteligente. Uma lastimável tristeza. Muita arrogância, soberba pouca ciência e visão futurista.

Nélio Roberto dos Reis é professor universitário em Londrina

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