Interessante como podemos nos sentir seguros em meio à multidão. Apesar de sempre haver o receio de alguém nos surrupiar a carteira, dificilmente consideramos um sequestro ou assalto à mão armada. Esses delitos parecem combinar mais com lugares ermos e escuros. Infelizmente, o Brasil mudou e a bandidagem evoluiu, em ousadia e em munição.
Posto Paloma, 2 horas da madrugada do último dia 14 de novembro, ponto de parada dos ônibus que fazem o trecho Londrina-São Paulo. Há pelo menos 12 ônibus cheios estacionados. Banheiros com fila, lanchonete congestionada e pessoas espalhadas por todo lado. Gente, muita gente, entre passageiros, motoristas, frentistas e funcionários, um número talvez até maior do que o mencionado no título.
Foi exatamente esse o momento que oito homens encapuzados e vestidos de preto escolheram para arrombar os caixas eletrônicos. Desembarcaram de dois carros e, munidos de armamento pesado, anunciaram o assalto, deram tiros para cima, mandaram todos deitarem no chão e começaram o trabalho com as dinamites.
Fizeram 500 reféns na hora, inclusive os dois policiais que estavam parados bem em frente dos guichês das companhias de ônibus. Eles saíram correndo junto com as pessoas que estavam do lado de fora do restaurante. Eu vi.
Dizem que bem perto dali há um posto policial na rodovia. Não apareceu ninguém durante os mais de 10 minutos que os bandidos usaram para arrancar o dinheiro dos caixas. Os homens de bem, os homens de mal, os batedores de carteira, os policiais, os valentões, os idosos, a senhorinha que viajou ao meu lado, todos, deitados no chão como crianças indefesas. Terminado o serviço, entraram nos carros e partiram dando tiros para o alto. Ninguém foi ferido e o dinheiro foi levado.
Eu me lembrei da delegada de Polícia que, certa vez, deu uma declaração na TV sobre a prisão dos jovens delinquentes de classe alta de São Paulo. Ela disse que eles foram parar na delegacia por que "a família não deu conta, depois a escola, em seguida a Igreja... o que sobrou foi a polícia estabelecer limites". Como eu gostaria de acreditar que o policiamento poderia dar um basta nos alarmantes índices de criminalidade!
Cara delegada, eu discordo da sua afirmação: a nossa polícia não dá conta da evolução do crime no Brasil. As famílias estão se desintegrando, a educação é praticamente inexistente em muitas escolas e a polícia não tem nem treinamento nem armamento para confrontar os "bandidos profissionais", como chamou um dos motoristas.
No entanto, concordo que às vezes a Igreja também não dá conta do indivíduo. Isso acontece com aqueles que estão lá dentro somente para cumprir o protocolo e dar a sua "cota cristã dominical". Isso não é ser Igreja na concepção da Palavra de Deus. A pregação da verdadeira Igreja gera desconforto com o status quo e transforma o indivíduo de dentro para fora.
Se somente um desses bandidos fosse temente a Deus, ele certamente não estaria no Posto Paloma às 2 horas da manhã. Ele estaria dormindo em casa com a família para acordar cedo no dia seguinte, levar os filhos na escola e ir para o trabalho. O homem cristão e temente a Deus não precisa que alguém lhe dê limites porque ele mesmo se encarrega de estabelecê-los pautado nos princípios éticos da Bíblia, um dos livros mais vendidos no Brasil.
Digníssima Delegada, nem aqueles jovens ricos e delinquentes, nem os bandidos mascarados temem a Deus. Desculpe, mas a Polícia não pode transformar o interior das pessoas. A Bíblia pode.

ADRIANA PASELLO é professora em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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