O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) completa neste domingo 15 anos em Londrina. Como ser humano nada tenho a comemorar. Foram 95.762 ocorrências atendidas com mais de 106.334 pessoas socorridas. O primeiro elo da vertente trauma no Brasil é a prevenção. Em nosso país ela é pobre para não dizer ausente. Nossa cultura popular ainda não aceita a prevenção como ela deve ser. A prevenção, o bom senso, a inteligência e a tolerância falharam muitas vezes e, por isso, um número muito grande de atendimentos.
Como cidadão londrinense, tenho pouco a comemorar. Comemoro a efetivação desse serviço em nossa cidade, mas não posso concordar com a pouca estrutura hospitalar digna da vítima de trauma. Se a prevenção do trauma falha, o atendimento ao traumatizado sai para as ruas com uma viatura vermelha mais uma vez.
Infelizmente ''esta Siate'', como é conhecida popularmente nossa ambulância, não é ajudada por uma malha viária planejada, com um número crescente de veículos circulando, mas principalmente, com o excesso de velocidade praticado no trânsito de Londrina. Esta velocidade lidera as causas de acidentes em nossas estatísticas.
Mesmo assim com todos os percalços, atende-se a vítima e inicia-se uma ''via crusis'' para encaminhá-la ao hospital. Sabemos que o ciclo de atendimento do trauma ainda não é fechado com a qualidade de países desenvolvidos. A vítima de trauma não pode esperar vaga, falta de maca, intolerância de pessoas ou falta de recursos públicos afins.
Ainda não posso comemorar também o egoísmo e hipocrisia da população que só se preocupa com o traumatizado ou as falhas do sistema quando a vítima é uma pessoa próxima a ela. Como integrante do Corpo de Bombeiros comemoro sim os 15 anos do Siate em Londrina. Esse serviço de natureza da área da saúde nos foi delegado não só por influência de sociedades mais desenvolvidas, mas pelo respeito e confiança depositado em nós, certeza do nosso comprometimento.
A sociedade londrinense pode continuar acreditando na qualidade desse serviço. Investiremos na prevenção e na tentativa de diminuir o número de atendimentos, na manutenção da qualidade dos atendimentos, na informatização da coleta de informações dos chamados, nos deslocamentos mais ágeis e seguros de ambulâncias, na preparação da sociedade para acidente com múltiplas vítimas, mas principalmente, na segurança dos bombeiros socorristas.
Como socorrista comemoro muito estes 15 anos de Siate em Londrina. Comemoro por saber que estamos no caminho certo da formação dos socorristas, forma ímpar no país. Comemoro a evolução dos equipamentos e os investimentos destinados aos serviços de bombeiros. A nossa disciplina institucional é a diferença. O Siate não teria 15 anos de sucesso se administrássemos de outro modo. Comemoro por ter socorristas comprometidos, experientes e preparados.
O bombeiro socorrista é a viga mestre do atendimento pré-hospitalar. As técnicas aplicadas pelo Siate são atualizadas e cópias do que há de melhor no mundo para vítimas de trauma. Quando um cidadão é vitimado pelo trauma, tendo sua existência colocada em risco, com grande dor e sofrimento emocional, vem à mente imediatamente Deus e depois algum ser humano que possa lhe ajudar. Nesse momento, aparece este profissional que lhe garante a vida, lhe conforta, lhe protege e lhe faz acreditar que será possível superar seus problemas imediatos com técnica, doutrina, abnegação e amor ao próximo. O bombeiro socorrista é aquele anjo que as vítimas pedem a Deus. No atendimento de ocorrências de trauma é aquele agente de um Estado eficiente e de primeiro mundo.

WILSON OLIVEIRA PAULINO é capitão e coordenador regional do Siate em Londrina


■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas).
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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