ESPAÇO ABERTO - 100 Anos de Londrina
Onde instalar o monumento em homenagem ao centenário da cidade em 2034?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 2025
Onde instalar o monumento em homenagem ao centenário da cidade em 2034?
Domingos Pellegrini 
Onde colocar o marco Londrina Cem? Planeja-se criar por concurso monumento marco dos 100 Anos de Londrina em 2034. Mas onde instalar tal monumento ou escultura?
Que seja lembrado o Altar da Pátria, no centro da Praça Floriano Peixoto ao lado da Catedral, que era usado para hasteamento da Bandeira Nacional, projetado em 1943 por Arvid Ericsson, a pedido da Prefeitura, para ser inaugurado pelo interventor estadual (governador) Manoel Ribas.
O marmoreiro Lauro Jorge Tramontini teve apenas 45 dias para arrancar do Ribeirão Jacutinga blocos de rocha, para serem aplainados e transformados em lajes perfeitamente ajustáveis, formando uma base de onde emerge o largo pedestal também de diabásio, rocha muito mais resistente que o basalto de onde veio nossa terra-vermelha.
Para cumprir sua missão, Lauro recém-casado montou barraca e acampou na praça, para poder trabalhar 18 horas todo dia, mas aprontou a obra um dia antes, inclusive com instalação do mastro para a bandeira. Como décadas depois regeu-se que a nacional só pode ser hasteada junto com as bandeiras estadual e municipal, sem espaço para as três bandeiras o altar foi esquecido e destratado. Nele chegaram a colocar natalinos carneiros de louça, foi parafusado para instalação de painéis de propaganda, foi indevidamente pintado várias vezes, mas continuou a mais sólida construção em Londrina, sem trincas nem corrosão em oito décadas. Lauro continua ali nas marcas de cinzel que, como pequenas escamas, recobrem toda a superfície rochosa. O cinzel é ferramenta clássica de escultura em pedra, entretanto o altar é de linhas retas em rigorosa composição modernista, como a antecipar a arte chamada concretista.
Seu criador Arvid Ericsson foi presidente do Ceal, Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, e nos anos 1960 criou e tornou nosso SAS, então Serviço de Água e Saneamento, modelo para a América do Sul. Pode-se interpretar que as linhas retas do seu altar simbolizam retidão de princípios, e as rochas da base, sobrepostas e encaixadas perfeitamente, simbolizam a integração entre os poderes públicos.
Está no centro do Centro Histórico, em grande praça propícia para fotos, com as pioneiras e grandes árvores-de-rua plantadas pela Associação Amigos de Londrina, precursora de associativismo civil londrinense. Sua solidez permite ser pedestal ou base para grande/s peça/s sobreposta/s, e assim, simbolizando também a integração entre passado e futuro, tornar-se obra ícone da cidade.
Além disso, seus quatro lados podem simbolizar nossas quatro etnias, indígena, europeia, africana e asiática. E assim também a Bandeira de Londrina, com seu fundo vermelho-cereja e suas quatro estrelas de prata, pode ser tema do monumento.
A iniciativa, liderada por Alex Canziani, tem o mérito de prever o monumento quase década antes, prenunciando realização de obra expressiva e duradoura, resultante de concurso com premiação atraente para participação nacional, como Londrina foi feita por gente de todo o país. Mais que um monumento, o novo marco falará pelo passado e indicará o futuro, representando inovação com solidez, como foi a própria criação de Londrina.
Domingos Pellegrini, escritor


