ESPAÇO ABERTO - 100 anos de história por um mundo melhor
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 2010
Sueli Galhardi 
Em 8 de março de 1857 um grupo de trabalhadoras de Nova York invadiu a fábrica onde trabalhava para reivindicar salários justos e redução da jornada. A manifestação, no entanto, foi reprimida violentamente. O local foi trancado e incendiado, e as 129 mulheres que o ocupavam morreram carbonizadas. Esse fato marcou para sempre a luta feminista e, em 1910, a data de 8 de março foi instituída para celebrar o Dia Internacional da Mulher em homenagem àquelas trabalhadoras que perderam suas vidas lutando pelos seus direitos.
Em 2010, centenário da criação dessa data, olhamos para trás e vemos grandes conquistas obtidas nesses 100 anos. De lá para cá, as mulheres conquistaram o direito ao voto, a se candidatar a cargos eletivos, a ascender no mercado de trabalho, a evitar a gravidez com anticonceptivos, a ter os mesmos direitos do marido na esfera civil, a se divorciar. Enfim, considerando os milhares de anos em que elas ficaram à sombra do poder masculino e o espaço conquistado em apenas um século, podemos concluir que esses avanços constituem uma das maiores revoluções já ocorridas na História.
Porém, ainda há muito a ser feito para que se extirpe todas as violações às quais as mulheres historicamente vêm sendo submetidas. Hoje em dia, por exemplo, elas ainda recebem salários menores que os dos homens em muitas áreas, e fatos como a criação da Lei Maria da Penha - uma grande vitória do movimento feminista - mostra que a violência doméstica ainda é um grave problema enfrentado pelas mulheres.
Embora muitos países ainda promovam a desigualdade entre gêneros ou ajam com indiferença quanto a isso, naqueles onde as mulheres conquistaram sua emancipação os benefícios não se restringiram apenas a elas. Estudos mostram que os países com maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) são aqueles que alcançaram os mais elevados graus de equidade entre gêneros, o que prova que a participação feminina nos setores políticos e empresariais, com igualdade de oportunidades e equiparação salarial, gera consequências positivas que se refletem no desenvolvimento de um país, ao passo que as nações que suprimem o papel da mulher na sociedade são aquelas que apresentam governos mais autoritários e baixos graus de IDH.
Outra consequência das conquistas feministas foi o surgimento de uma nova configuração de família e uma redefinição de papéis masculinos e femininos; hoje, cada vez menos famílias dependem somente dos homens para o sustento do lar, ao passo que aumenta o número de lares onde os homens dividem ou até assumem as tarefas domésticas, aliviando aos poucos a pressão da dupla jornada de trabalho. Os jovens que cresceram acompanhando essas mudanças dentro de casa carregam uma forma diferente de ver o mundo e, certamente, contribuirão para a constituição de sociedades mais igualitárias.
De um mundo em que patrões queimavam suas funcionárias para um mundo em que há maior reconhecimento dos direitos humanos, é indiscutível - sob o foco da luta feminista - a importância do papel da mulher nesse processo. Por esse motivo, a Prefeitura de Londrina, em parceria com entes públicos e civis, realiza anualmente a Semana Municipal da Mulher para trazer à luz temas que contribuam com que haja garantias reais a esses direitos, dando continuidade à caminhada rumo a uma sociedade mais justa a todas as mulheres e, por consequência, a todas as pessoas.
Esta 18 edição, com o lema ''Trilhando a Igualdade na Diversidade'', trará entre os assuntos temas relacionados à realidade que cada mulher enfrenta, pois existem várias mulheres com necessidades específicas e cada uma delas tem suas próprias razões pelas quais lutar. Respeitando-se a diversidade, chegaremos à plena equidade entre mulheres e homens.
SUELI GALHARDI é secretária Municipal da Mulher de Londrina


