ESGOTO DA ASSEMBLÉIA - Sujeira continua indo para rio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de maio de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em abril, requerimento apresentado pelo deputado Luiz Eduardo Cheida (PMDB) trouxe à tona um crime ecológico que vinha sendo cometido pela Assembléia Legislativa do Paraná. Todo o esgoto produzido nos dois prédios da Casa estavam sendo despejados diretamente no rio Belém, que corta o Centro Cívico. Agora, a direção da AL toma providências. O presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM), diz não estar ''à vontade'' com a situação, mas garante que um dos prédios já está ligado à rede de esgoto e que o outro será em breve. Justus fala também do pedido do Ministério Público para que os deputados demitam os parentes que trabalham nos gabinetes.
Há quanto tempo o esgoto era despejado no rio?
Isso não foi levantado. São obras antigas, que já deveriam estar ligadas (à rede de esgoto). Nós temos dois prédios. Um já foi ligado. Para o outro, a Sanepar deve nos entregar um projeto nesta segunda-feira. Acho que em 15 dias isso está resolvido. Mas a idéia é aproveitar o mês de julho (para realizar a obra), quando há o recesso.
O senhor sabia do problema?
Não. Nunca me passou isso pela cabeça.
Não sentiu vergonha?
Claro. Sou autor de um projeto que obriga as novas edificações a ter um certificado da Sanepar dizendo efetivamente se está ligada à rede coletora. Dos projetos que apresentei, é um dos que mais me orgulho, porque trará benefícios muito grandes para a sociedade. Se sou autor de um projeto preocupado com a questão do meio ambiente, claro que não fico à vontade ao ver que a própria AL ou outros imóveis antigos do governo não estejam praticando esses princípios.
Alguém será punido?
Sou homem de resultados. As coisas têm que acontecer, o que não pode é persistir no erro. Há um erro e temos que consertá-lo. Essa foi a sinalização que demos tão logo tivemos conhecimento disso. Agora, quem é o responsável por isso? Esse prédio tem quantos anos? Naquela época, será que existia esgoto aqui na frente? O importante é resolver a situação ainda no primeiro semestre.
Semana passada, o MP enviou recomendações administrativas à AL, pedindo que os deputados demitam os parentes que trabalham nos gabinetes. O que será feito?
Todos os deputados, individualmente, receberam (a recomendação) no dia 30 de abril. Agora, todos têm 60 dias para responder ao MP e vão fazê-lo. A interpelação foi feita pessoalmente e cada um vai responder se tem parente, se não tem, qual é o grau de parentesco. Eu, pessoalmente, tenho um sobrinho. Vou responder que tenho um sobrinho que trabalha comigo há 9 anos.
A recomendação é para a exoneração dos parentes...
Vou esperar os 60 dias. Tenho uma expectativa muito grande de que haja uma legislação (sobre o nepotismo) definida já durante esse período. Acho que Brasília, se não estivesse com a pauta bloqueada, já teria uma solução.
A AL chegou a fazer levantamento de quantos parentes de deputados trabalham na Casa?
É muito difícil, porque temos sobrenomes comuns. Por essa razão é que o MP está fazendo individualmente. Acho que cada deputado fica responsável por quem contratar em seu gabinete. Tenho uma opinião formada sobre esse assunto: acho que o que não pode haver é abuso. Enquanto não houver abuso, não entendo que seja alguma coisa ilegal e muito menos imoral. Não entendo, por exemplo, que a mulher do prefeito não possa trabalhar na sua administração. A minha esposa não é funcionária da Assembléia nem do meu gabinete. Mas ela me ajuda muito.
Não há abuso na AL?
Não. E as pessoas vão ficar surpresas. Não há abuso na Casa. Pelo que tenho conversado com os deputados, são poucos os que ainda mantém em seu gabinete algum parente. Claro que tem, mas eles vão pelo menos nominá-los.


