ESG como impulsionador de inovação
Empresas que integram critérios de boas práticas em sua estratégia não apenas ganham reputação, mas também desenvolvem soluções mais eficientes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de julho de 2025
Empresas que integram critérios de boas práticas em sua estratégia não apenas ganham reputação, mas também desenvolvem soluções mais eficientes
Fábio Guimarães 
Em um cenário corporativo cada vez mais orientado por propósito e responsabilidade, a sigla ESG deixou de representar apenas um conjunto de boas práticas ambientais, sociais e de governança e passou a ser um catalisador poderoso de inovação e geração de valor. Por isso, as empresas que integram critérios ESG em sua estratégia não apenas ganham reputação, mas também desenvolvem soluções mais eficientes, tecnológicas e alinhadas às exigências do século XXI.
Ao contrário do que se acreditava há alguns anos, investir em sustentabilidade não é um custo, mas uma oportunidade. Segundo a consultoria PwC Brasil, 71% dos negócios brasileiros já implementam iniciativas ESG, e a maioria delas associa essas práticas à transformação digital, por meio de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), blockchain e inteligência artificial (IA).
Isso porque as empresas têm utilizado blockchain e IA para automatizar processos de logística reversa e rastreabilidade ambiental, promovendo economia circular em larga escala. O uso de sensores conectados permite ainda a manutenção preditiva e a redução do consumo de energia, otimizando tanto custos operacionais quanto emissões de carbono.
Globalmente, os investimentos em tecnologias sustentáveis (green tech) ultrapassaram US$ 2,1 trilhões em 2024, segundo a BloombergNEF. No Brasil, os fundos ESG já superam R$ 40 bilhões, com expectativa de dobrar até o fim do ano, puxados por maior exigência de investidores institucionais e mudanças regulatórias.
Isso tem estimulado novos modelos de negócio, como biotecnologia voltada à agricultura regenerativa, startups de proteínas alternativas e soluções digitais para inclusão financeira. Dessa forma, a lógica é clara: ESG não limita a inovação — expande suas possibilidades.
Outro fator que influencia é que a inteligência artificial, especialmente a generativa, vem ganhando papel central na automação de relatórios ESG, na identificação de greenwashing e na melhoria da governança corporativa. Seguindo essa linha, estudos da Delloite/Wall Street Journal e “Artificial Intelligence and Corporate ESG Performance” apontam que empresas que usam IA para gestão ESG conseguem resultados superiores em reputação e eficiência regulatória. Contudo, o avanço tecnológico traz também desafios éticos.
A demanda por inovação sustentável não vem apenas de investidores ou órgãos reguladores, mas do consumidor. Segundo pesquisa da IBM, 80% dos brasileiros preferem marcas com práticas sustentáveis e 95% estariam dispostos a pagar mais por produtos com impacto socioambiental positivo.
Ou seja, esse novo perfil de consumo força as empresas a pensarem ESG desde a concepção de seus produtos e serviços, transformando responsabilidade em diferencial competitivo e inovação em valor de marca.
Vale concluir que o ESG é hoje uma das maiores forças propulsoras da inovação. Portanto, as companhias que o incorporam em seus processos, cultura e modelo de negócios colhem ganhos em eficiência, reputação, acesso a capital e fidelização de clientes. No Brasil, esse movimento já é realidade — e as organizações que o liderarem estarão mais preparadas para um mercado em rápida transformação, onde inovação e sustentabilidade caminham juntas rumo ao futuro.
Flávio Guimarães
Presidente da Corning na América Latina


