Em um cenário corporativo cada vez mais orientado por propósito e responsabilidade, a sigla ESG deixou de representar apenas um conjunto de boas práticas ambientais, sociais e de governança e passou a ser um catalisador poderoso de inovação e geração de valor. Por isso, as empresas que integram critérios ESG em sua estratégia não apenas ganham reputação, mas também desenvolvem soluções mais eficientes, tecnológicas e alinhadas às exigências do século XXI.

Ao contrário do que se acreditava há alguns anos, investir em sustentabilidade não é um custo, mas uma oportunidade. Segundo a consultoria PwC Brasil, 71% dos negócios brasileiros já implementam iniciativas ESG, e a maioria delas associa essas práticas à transformação digital, por meio de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), blockchain e inteligência artificial (IA).

Isso porque as empresas têm utilizado blockchain e IA para automatizar processos de logística reversa e rastreabilidade ambiental, promovendo economia circular em larga escala. O uso de sensores conectados permite ainda a manutenção preditiva e a redução do consumo de energia, otimizando tanto custos operacionais quanto emissões de carbono.

Globalmente, os investimentos em tecnologias sustentáveis (green tech) ultrapassaram US$ 2,1 trilhões em 2024, segundo a BloombergNEF. No Brasil, os fundos ESG já superam R$ 40 bilhões, com expectativa de dobrar até o fim do ano, puxados por maior exigência de investidores institucionais e mudanças regulatórias.

Isso tem estimulado novos modelos de negócio, como biotecnologia voltada à agricultura regenerativa, startups de proteínas alternativas e soluções digitais para inclusão financeira. Dessa forma, a lógica é clara: ESG não limita a inovação — expande suas possibilidades.

Outro fator que influencia é que a inteligência artificial, especialmente a generativa, vem ganhando papel central na automação de relatórios ESG, na identificação de greenwashing e na melhoria da governança corporativa. Seguindo essa linha, estudos da Delloite/Wall Street Journal e “Artificial Intelligence and Corporate ESG Performance” apontam que empresas que usam IA para gestão ESG conseguem resultados superiores em reputação e eficiência regulatória. Contudo, o avanço tecnológico traz também desafios éticos.

A demanda por inovação sustentável não vem apenas de investidores ou órgãos reguladores, mas do consumidor. Segundo pesquisa da IBM, 80% dos brasileiros preferem marcas com práticas sustentáveis e 95% estariam dispostos a pagar mais por produtos com impacto socioambiental positivo.

Ou seja, esse novo perfil de consumo força as empresas a pensarem ESG desde a concepção de seus produtos e serviços, transformando responsabilidade em diferencial competitivo e inovação em valor de marca.

Vale concluir que o ESG é hoje uma das maiores forças propulsoras da inovação. Portanto, as companhias que o incorporam em seus processos, cultura e modelo de negócios colhem ganhos em eficiência, reputação, acesso a capital e fidelização de clientes. No Brasil, esse movimento já é realidade — e as organizações que o liderarem estarão mais preparadas para um mercado em rápida transformação, onde inovação e sustentabilidade caminham juntas rumo ao futuro.

Flávio Guimarães


Presidente da Corning na América Latina

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