Escritor contesta história oficial e revela a outra Londrina
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sábado, 28 de junho de 2003
Phoenix Finardi<br>Reportagem Local 
Se dependesse do comerciante Walter Durães Monteiro, 59 anos, este ano Londrina ia fazer 73 e não 69 anos e a data do aniversário também seria diferente - 8 e não 10 de dezembro. ''As outras cidades do Brasil comemoram a data de fundação. Porque só Londrina comemora aniversário no dia da emancipação política? Tem mais, se a gente considerar a chegada dos primeiros moradores vamos ver que a conta está errada e a cidade tem pelo menos quatro anos a mais do que a história oficial aponta'' - explica.
Monteiro é dono de uma barraca de lanches no centro da cidade mas o que ele gosta mesmo é de estudar história. Há 10 anos ele pesquisa em livros e documentos antigos os relatos da chegada das primeiras caravanas ao norte do Paraná. As ''descobertas'' de Monteiro são cuidadosamente anotadas em cadernos que ele preenche com uma letra caprichada. A curiosidade pela história de Londrina acabou levando Monteiro a ultrapassar fronteiras e a estudar também a história do Paraná. O resultado virou um livro que deve ser lançado em dezembro, no aniversário da cidade. ''A Outra Face da História'' já tem patrocinador e contesta muitos dos fatos oficialmente divulgados como históricos. ''A história oficial está muito distorcida, deturpada até'', diz Monteiro. O escritor questiona principalmente a importância dos ingleses na colonização do norte do Estado: ''Não mais que 10 ingleses tiveram participação ativa na colonização de Londrina. George Craig Smith era paulista; Willie Davies era de Campinas. Onde estão os resquícios da fundação dos ingleses? Onde estão os descendentes? Na década de 30 já havia 25 etnias na cidade e o número chegou a 48 nos anos 50. Onde está a colônia inglesa na região?'', pergunta Monteiro. E responde: ''Essa ênfase para os ingleses foi puro marketing''. Não estranha que o personagem principal do livro seja um brasileiro de Guarapuava, Affonso Alves Camargo, que segundo Monteiro, foi o responsável pela introdução da cafeicultura na região.
O livro de Monteiro também aponta erros grotescos, como a idade do patrimônio mais antigo de Londrina: ''Dizem que o Heimtal tem 80 anos. Se isso fosse verdade, a primeira família teria chegado lá em 1922 e não foi isso que aconteceu. Eles chegaram em 1930 e ao contrário do que se ensina, não foram os Strass e sim a família Kerkamp'', garante. Ele explica que chegou a esta conclusão cruzando informações e datas de vários livros e documentos.''A própria secretária da educação, Magda Tuma, escreveu um livro didático dizendo que a caravana de George Craig Smith teria sido a precursora da colonização mas quando eles chegaram, em 1929, já havia um grupo de moradores aqui'', indica. De acordo com as anotações de Monteiro, a primeira caravana chegou em 1922. As outras caravanas teriam vindo em 1927 e 1929.
A curiosidade pela história da cidade começou na infância. Monteiro afirma que a família Durães foi a segunda a chegar em Londrina: ''Isso foi em 1927, logo depois dos Palhano, que vieram um ano antes. Os Durães formaram a primeira lavoura de café na região'', conta.
Na década de 50 a Fazenda Aparecida teria sido ponto de apoio para as famílias estrangeiras que vinham para Londrina. Além das histórias e lembranças da mãe, o escritor também ouviu relatos do avô, Bertoldo Durães e de Angelo Fulini, avô da esposa, que estiveram entre os primeiros agentes contratados pela Companhia de Terras Norte do Paraná.
O comerciante, que é casado e tem dois filhos, aproveita todo o tempo livre para pesquisar, escrever e ler - ''até bula de remédio'', brinca. Assim que entregar o livro, já tem outro trabalho em vista: ''Quero reunir fatos pitorescos da história de Londrina, contar detalhes da vida na cidade na época em que ela era a capital do café e a Higienópolis era chamada de avenida dos Barões. Já tenho bastante material separado'', revela.


