Escravos contemporâneos
Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, ninguém mais poderia ter direito à propriedade sobre outra pessoa, ou seja, o Brasil colocava fim à escravidão. Infelizmente, nos períodos seguintes à libertação e até hoje, continuam situações em que um trabalhador é tratado de forma degradante, com salários atrasados e sem condições de se desvincular dos atuais patrões. Logicamente, as pessoas que são submetidas a essa situação não serão encontradas acorrentadas em fazendas ou fábricas. As amarras que prendem o escravo contemporâneo são as ameaças físicas e psicológicas. As distâncias que separam a propriedade (fábrica ou fazenda) da cidade mais próxima encobrem a humilhação, a falta de alojamento decente e alimentação adequada. É o chamado trabalho escravo contemporâneo.
No ano passado, 2.560 trabalhadores que viviam nessas condições foram libertados durante operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) formadas por representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número é 16% maior do que em 2011, quando foram encontradas 2.203 pessoas nessas condições. O Paraná teve 19 trabalhadores libertados em 2011, contra 164 no ano passado. Este total também supera o registrado em 2010 (70). Os números fazem parte do Relatórios Específicos de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo, do MTE. O aumento de pessoas resgatadas no Estado ocorreu principalmente por causa de uma ação na cidade de Perobal, no Noroeste. Em uma usina de açúcar e álcool, 125 trabalhadores foram encontrados em situação degradante. Esta foi a segunda maior libertação de todo o País em 2012. O MPT resgatou pessoas de uma situação descrita como grave demais. Contratados pelos chamados gatos (intermediadores de mão de obra), trabalhadores da Bahia, Pernambuco e Maranhão foram submetidos a péssimas condições de alojamento, transporte e alimentação, eram obrigados a comprar seus próprios instrumentos de trabalho, a contrair dívidas com os contratantes e o comércio local e a trabalhar aos domingos. Eles também não tinham descanso mínimo de uma hora durante as jornadas de trabalho, e não tinham o menor controle sobre o pagamento.
É vergonhoso que situações como essa continuem ocorrendo no País. No mundo todo há centenas de tratados internacionais pelo fim do trabalho escravo e comércio de pessoas. Mas o problema persiste, principalmente diante de países que vivem em situação de miséria. Até quando?





