O mercado de trabalho brasileiro vive um momento tão único quanto contrastante. De um lado, trabalhadores especializados em áreas como as de tecnologia da informação são disputados por empresas a peso de ouro, conquistando benefícios e altos salários. De outro, brasileiros sem formação se submetem a regimes análogos à escravidão. Um retrato de quão atrasado o País pode ser na proteção de seus cidadãos, principalmente os mais carentes e sem escolaridade.
Em um extremo, uma pesquisa revelou que em cada dez profissionais com remuneração entre R$ 6 mil e R$ 15 mil, oito receberam proposta para mudar de emprego no último ano. O aumento do assédio fez com que as empresas adotassem políticas estruturadas e agressivas para reter talentos. Quase 40% dos entrevistados disseram ter recebido aumento salarial superior a 30% nos últimos três anos, enquanto a inflação no período foi de 17%.
Em outro, trabalhadores com pouca escolaridade, residentes em regiões com pouca oferta de emprego, são submetidos ao chamado trabalho degradante. E o Paraná tem papel de destaque nesta área, como mostra reportagem que a FOLHA traz hoje. Ocupamos a 13 posição no ranking dos Estados com esse tipo de exploração. O problema está ligado principalmente ao trabalho no campo.
É incrível como em pleno século 21 ainda há casos de pessoas que não têm respeitada sua condição de seres humanos. As leis do País são reduzidas a meros amontoados de artigos e parágrafos que compõem os códigos do direito.
A reportagem mostra que há dez anos tramita uma proposta de emenda constitucional no Senado que aumenta o rigor das punições contra os que colocam trabalhadores em condições subumanas. Uma década parece - e é - tempo demais para se discutir uma matéria tão séria sem chegar a um resultado prático.
É preciso apertar o cerco contra os ''empregadores'' que desrespeitam os direitos do trabalhador. Uma forma de garantir a cidadania daqueles com tão pouco conhecimento para se proteger sozinhos.

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