É trágica e ao mesmo tempo carregada de humor sinistro a revelação de que um venenoso escorpião apareceu na mesa do vice-presidente do Senado, Tião Viana, do PT do Acre. O aracnídeo, com cerca de cinco centímetros, é de cor amarela e dos mais perigosos, podendo matar quem for vítima de sua picada. Ainda vigora pelo mundo a crença de que, afora o Carnaval e o futebol do Rio de Janeiro, o Brasil é um território selvagem, repleto de serpentes e macacos. A presença agora desse escorpião, em plena capital da República e pior, em cima da mesa de um senador robustece essa imagem pouco lisonjeira acerca deste País supostamente primitivo e inóspito. No âmbito do território pátrio, o fato gera gracejos e enriquece o acervo do anedotário político. Porque o campo onde viceja a fauna dos homens públicos, aqueles eleitos pelo povo, é sempre vasto e fértil, não havendo quem não se deleite com os deboches. E quando no bojo das notícias sobre políticos surgem coisas extravagantes ao menos no entendimento dos cidadãos comuns, que não estão acostumados a encontrar um escorpião em sua mesa de trabalho a criatividade do humor brasileiro logo se manifesta. Como o caso de um agente vinculado ao Governo ser pego carregando dentro da cueca dólares de origem suspeita. Os iguais se atraem, dizem os brincalhões, referindo-se à visita do peçonhento bicho ao senador, que mal não faria se picasse um político acrescentam porque este já inoculado de idêntico veneno. O escorpião, no conceito popular, é menos nocivo que os hospedeiros que vicejam nas duas Casas do Congresso. Os funcionários do Senado declaram que o edifício está infestado de escorpiões. Não foram específicos quanto à espécie. Uma dedetização já foi providenciada, para dar mais sanidade ao recinto. No que respeita aos aracnídeos. O ano é eleitoral e enseja a idéia de o votante dedetizar também os gabinetes onde estão entocados escorpiões mais perigosos e que no ano que acaba de findar se mostraram muito ofensivos. Eles não desejarão deixar o habitat. Foram os próprios políticos que possibilitaram a geração desse baixo conceito que os cidadãos fazem deles, e quando surge uma oportunidade, ninguém os poupa. O povo os elege, porque comparecer às urnas é obrigatário e ainda não se conheceu regime melhor do que este para escolha dos governantes, em todas as suas esferas. Mas os conduzem ao poder, pelo voto, e no mesmo momento os ridicularizam. Povo e eleitos não se respeitam, e este é o triste quadro da realidade política brasileira e do ainda sofrível grau de cidadania.

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