Escolas querem sistema antigo
Curitiba - Duas escolas da rede municipal de Curitiba resolveram tomar a frente nas denúncias de que o atual sistema não está conseguindo suprir as necessidades de conhecimentos dos alunos. As escolas Paranaguá, situada no conjunto Saturno, Bairro Santo Inácio; e Municipal Santos Andrade, no Campo Comprido, entraram com pedido de autorização ao Conselho Estadual de Educação para retornar ao sistema antigo, de classes seriadas. Até agora a secretaria não atendeu ao pedido.
A Escola Municipal Santos Andrade tem 336 alunos dividos em 14 turmas, resultando numa média de 24 alunos por sala. Ao todo, são 24 professores. Já na Escola Paranaguá, com 392 alunos em 14 turmas, a média por sala é de 28 estudantes. A escola dispõe de 22 professores. Ambas reclamam que não têm pessoal suficiente para atender os alunos com dificuldades, que as turmas são muito grandes para trabalhar os alunos individualmente e, ainda, que não conseguem reter um aluno na mesma série quando julgam necessário.
Segundo a diretora Ana Maria Szeremita Pereira, o movimento começou em novembro do ano passado, a partir de reclamações dos próprios pais, que sentiram que os filhos não estavam aprendendo apesar de estarem passando de ano. ''Nós não somos contra o sistema de ciclos, nem queremos reprovar em massa. O problema é que não temos estrutura para atender todas as crianças neste sistema'', diz a diretora. Dos 22 professores, 14 são regentes das 14 turmas, seis são específicos para aulas de educação física, ensino religioso e educação artística e dois são auxiliares.
Para atender os alunos que têm mais dificulades com aulas de reforço fora do horário escolar, chamado de contraturno, os professores chegaram a um consenso. Cada turma pode indicar até oito alunos para estas aulas. O que resulta em 112 alunos que recebem uma vez por semana duas horas de aula extra. ''Mais do que isto não dá para atender, por falta de pessoal e espaço'', conta a diretora. Para essas aulas, os professores não têm um local específico e acabam usando a sala dos professores, secretaria ou biblioteca.
Outro problema, de acordo com a pedagoga Adriane bello Taques, aparece principalmente na 4 série. ''As crianças acabam perdendo o interesse, e elas mesmo dizem que não precisam estudar já que vão passar mesmo'', conta. Este ano, ela avalia que pelo menos três crianças deveriam continuar retidas na 4 série. Esta decisão, no entanto, é tomada junto a um Conselho ligado ao Núcleo Regional da Secretaria de Educação, o que, segundo as professoras, só aceita a retensão do aluno se o caso for muito grave. Assim, muitos que não têm condições acabam passando. (M.G.)





