Escolas com futuro incerto
O anúncio, feito na última segunda-feira, de que a Secretaria Estadual de Educação (Seed) iria fechar cerca de 40 escolas no Paraná preocupou pais, alunos e professores, provocando tanta repercussão que a secretária Ana Seres chamou a imprensa para mais uma coletiva ontem à tarde. O Estado voltou atrás e a gestora da pasta disse que, ao invés de fechar os estabelecimentos de ensino, as escolas serão "cessadas", podendo serem reabertas depois de um prazo. A mudança já começa a valer em 2016, mas ainda não foi concluído o levantamento dos estabelecimentos que serão "suspensos". É justamente esse o problema. A discussão sem detalhes claros leva a uma rede de boatos e a angústia se instala entre os estudantes. O ano está acabando e o governo não conseguirá levar o assunto para um debate com a comunidade escolar nas últimas semanas de aula, antes das férias de janeiro.
O projeto de fechamento (ou a cessação, como prefere a secretária) das escolas ainda precisa passar, dentro da Seed, por uma análise pedagógica e de gestão de recursos humanos. A Secretaria não sabe estimar quantas pessoas serão impactadas pela medida. A rede pública estadual possui 2,1 mil instituições e quase um milhão de alunos. Um estudo preliminar realizado pela Secretaria considerou possíveis de fechamento 71 estabelecimentos. Desses, 31 estão localizados no campo, sendo a maioria em municípios pequenos; 19 são Centros de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebjas) e outros 21 dizem respeito a contrato de locações. O Estado gasta entre R$ 13 milhões e R$ 15 milhões anuais com aluguéis de escolas.
O Paraná precisa de medidas de contenção de gastos e não se espera que o Estado mantenha escolas ociosas, se esse é realmente o caso. O problema é que a Seed não conseguiu explicar qual a proposta do governo para essas escolas que serão "cessadas". Outra preocupação da comunidade - justificável - é com a superlotação nas salas de aula.
Não se pode esperar que a sociedade assimile com tranquilidade a notícia do fechamento de escolas públicas. Principalmente porque os motivos da ociosidade de espaço não estão claros. Os estudantes abandonaram o estudo ou migraram para o ensino particular em busca de mais qualidade? Em um país em que as famílias são duramente sobrecarregadas com pesada carga tributária, o certo seria que as vagas em escolas públicas se multiplicassem. Mas, infelizmente, a conta acaba em subtração.





