ESCOLA SEM CONFLITO - Os pais voltam às aulas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Violência, baderna, baixa frequência, perda de valores. O cenário da educação no Brasil é de deixar pais e professores de cabelos em pé. Mas como enfrentar ou evitar essa situação? Em Curitiba, por iniciativa de um grupo de mães preocupadas em acompanhar de perto a educação dos filhos, foi lançado um novo conceito de educação: a Escola para Pais Sheva Hai (Sete Vidas, em hebraico).
Modelo desenvolvido em Israel e consolidado nos Estados Unidos, a Escola para Pais visa, segundo uma de suas coordenadoras, Tânia Waismann, aproximar os progenitores das questões psicopedagógicas que envolvem o ambiente da lousa, giz e hora do intervalo. Em entrevista à FOLHA, Tânia ressalta a importância das instituições de ensino e dos pais deixarem o jogo de ''empurra'' em torno de suas obrigações.
O que a Escola de Pais traz de novo?
Trata-se de um modelo empregado em Israel que já está em várias partes do mundo e estamos trazendo para Curitiba. Atualmente, estamos com mais de 80 famílias e não visamos somente trabalhar os pais, mas trazer os pais para as escolas, uma vez que trabalhamos dentro das escolas.
O que propõem, para levar esses pais às salas de aula?
Há palestras, aulas de culinária e idiomas, por exemplo. Atualmente vivemos em um cenário em que os filhos fazem idiomas e têm domínio sobre línguas estrangeiras e os pais vão ficando para trás. Tentamos aliar psicologia e cultura, bem como inserir a educação financeira aos pais. De nada adianta pedir bons exemplos aos filhos se os pais não sabem administrar seu dinheiro e não têm uma cultura voltada à educação financeira.
A tendência das escolas é optar por um caminho que vá além da educação formal?
Sem dúvidas. Atualmente, os pais acham que a escola tem que educar, delegando essa função às instituições de ensino. As coisas não funcionam no usual ''eu, colocando meu filho na escola, ele vai ser educado''. Não é assim. Gostamos muito de transferir a responsabilidade para os outros. Mas a responsabilidade é da escola e dos pais.
Não se pode mais pensar na ''educação pela educação''...
Não. Todos precisamos melhorar. E isso vale para os pais também. Para pleitear um mundo melhor eu, como mãe, começaria me melhorando. Não podemos pensar em um ensino efetivo relegando papéis e atribuições somente aos pais ou às escolas.
A violência chegou às salas de aula não vem de hoje. A presença dos pais reduziria esses índices?
Creio que sim, pois tudo começa em casa. Se damos aos pais mais informação, todos os tipos de problema podem ser melhor enfrentados. Com mais informação, os pais despertam a consciência, em primeiro lugar, o saber, o entender, e mostramos a eles como escutar melhor seus filhos. A violência é falta de alguma coisa.
Falta de quê?
Comunicação é a palavra-chave. Comunicação de todos os lados. Quanto maior a interação e integração da família com a escola e com as atividades de seus filhos, maior a chance de combatermos alguns fantasmas como a violência.
Essa integração gera a mudança de hábito, melhora a auto-estima?
Com certeza. O importante é termos em mente que as crianças não passam apenas pelas mãos dos pais. Há os tios, os professores. Muitas vezes uma palavra dita na hora certa pelo professor pode ajudar a criança a se desenvolver. Os empurrões são necessários, principalmente


