Se a cadeia é a universidade do crime, as unidades destinadas à punição e à ressocialização de adolescentes infratores podem ser chamadas de escolas ou pré-escola dos crime. Por isso, a exemplo dos adultos, o ideal para garantir o retorno ao convívio social é não colocar nas mesmas celas os bandidos considerados de alta periculosidade e os iniciantes na carreira criminosa.
A proposta é imprescindível para obtermos bons resultados na redução dos alarmantes índices de criminalidade registrados em todo o País. Uma das estudiosas que corrobora essa tese é a psicóloga forense Paula Gomide, autora do livro ''Menor Infrator: A Caminho de um Novo Tempo'', cuja primeira edição foi lançada há 13 anos.
Na entrevista publicada hoje na página 3, na matéria ''Separar infratores é caminho para garantir ressocialização'', a psicóloga afirmou à repórter Érika Gonçalves que apenas 10% dos jovens infratores são considerados extremamente de violentos.
Nesses casos, defende Paula Gomide, é necessário um trabalho mais efetivo para proporcionar a recuperação dos criminosos menores de idade. A recomendação abrange iniciativas como sessões constantes de psicoterapia, programas de ressocialização com acompanhamento e monitoria por muitos anos. ''Os que têm indicativo de psicopatia não vão deixar de cometer crimes ou delitos porque ficaram três anos presos'', alerta a especialista.
Para punir e recuperar os pequenos infratores, por outro lado, o trabalho recomendado pela especialista é mais voltado para a educação, o treinamento para o trabalho e o acompanhamento também dos familiares. Principamente porque a maior parte deles envolve-se com delitos para manter o vício e pagar dívidas que têm com traficantes de drogas.
''Precisamos trabalhar fortemente na prevenção. É preciso ver as condições em que os pais se encontram, se têm condições mínimas de cuidar dos filhos, se precisam de capacitação, de terapia. Quando o nível de comprometimento dos pais está alto, orientar não adianta mais'', alerta Paula. E sem a orientação dos pais, os jovens também ficam vulneráveis.

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