A atuação da ONG MovPaz (Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência) em Londrina tem dado bons resultados. Alguns deles podem ser observados na Escola Interativa Educação Infantil e Ensino Fundamental, uma das instituições que encamparam a idéia de trabalhar temas ligados à não-violência com as crianças. Durante a Semana da Pátria, a escola, que desde 1999 desenvolve ações visando a transformação social, reiniciou as atividades educativas sob o tema ''A paz do mundo começa em mim''.
Cerca de 300 alunos do maternal à 5 série discutiram em sala de aula o que é preciso para instituir a cultura pela paz e o que é possível fazer no dia-a-dia para mudar a realidade cada vez mais violenta. Um dos resultados desta discussão foi a elaboração de um Manual da Paz, onde as crianças relacionaram 25 itens que consideram importantes (veja quadro nesta página). Também foram confeccionados textos, poesias e cartazes sobre o tema.
Outra ação relacionada à campanha é o uso de um botom. Cada sala instituiu suas normas, mas todas têm em comum o objetivo de trabalhar pela paz. Quando alguém comete algum ato que pode resultar em violência, fica sem o botom naquele dia. ''Não se trata de uma ação disciplinadora nem punitiva. É um trabalho restrito às ações que geram violência'', explica a diretora pedagógica da escola, Silvia Helena Carvalho.
Também como desdobramento do projeto, os alunos levaram para a escola brinquedos que tinham em casa e que induziam à violência, como revólveres, metralhadoras, espadas e facas. O pai de uma aluna, o artista plástico Denilson Moreira Vitor, se encarregou de deterreter os brinquedos a maioria de plástico e transformá-los em esculturas em forma de pomba, símbolo da paz.
Enquanto cantavam o Hino da Paz, composto por Nando Cordel para o MovPaz, as crianças se maravilhavam com a transformação. À medida que o maçarico derretia as peças, que aos poucos iam caindo na fôrma feita em argila e gesso, o encantamento era visível nos olhos dos alunos. Em alguns momentos, as vozinhas ficavam mais fortes e as frases da música saíam recheadas de emoção. Agora todos, desde os menorzinhos, garantem estar conscientes de que brinquedos como os que foram destruídos devem ser evitados.
Ações deste tipo vão continuar na escola, segundo Silvia Helena Carvalho. ''Nosso projeto é contínuo, principalmente porque visa a construção de uma sociedade melhor.''

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