Escola começa a viver a Paz
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domingo, 08 de setembro de 2002
Carina Paccola<br>Reportagem Local 
A paz começa a integrar o dia-a-dia de uma escola estadual na zona norte de Londrina. Professores e estudantes da Escola Estadual Professor José Carlos Pinotti, no Jardim dos Pássaros (Parigot 3), estão empenhados em aprender mais sobre a paz e vivenciá-la nas relações cotidianas.
A idéia surgiu depois que seis representantes da escola participaram, em junho, de uma palestra com Clóvis Nunes, criador da ONG MovPaz (Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência), de Feira de Santana (BA), com atuação em várias cidades brasileiras. A ONG propõe que as escolas ensinem a paz. O desafio foi aceito pela escola londrinense.
Hoje, os estudantes já sentem pequenas mudanças que fazem diferença na construção da paz. Afonso Takeo Inoue Júnior, de 14 anos, conta que começou a refletir sobre brincadeiras que acabam gerando violência. ''Colocar apelidos depreciativos em colegas ou empurrar, mesmo que seja só de brincadeira, acaba prejudicando. Paramos de fazer isso.''
Laís Regina da Silva, 13 anos, colega de 7 série de Afonso, também está agindo de forma diferente para construir a paz. ''Não adianta só falar da boca pra fora se a gente não fizer nada para melhorar. Tem que ter a paz internamente e a consciência limpa. Por exemplo, não falar mal dos outros, não colocar apelidos nem fazer algo de que a pessoa não gosta'', explica.
Essas pequenas atitudes refletem o que os alunos estão debatendo em sala de aula. O professor de português Jeferson Luis Inácio conta que já trabalhou com os estudantes temas como o ''bateu, levou'', ''minha educação depende da sua'', e a sala toda acaba assumindo o compromisso de evitar agressões e ser mais amigos. ''Trabalhamos a solidariedade, a preocupação com o colega, o respeito como base de todas as relações'', diz.
Segundo o professor, numa das classes em que um aluno teve todo o corpo queimado num acidente doméstico, e estava afastado das aulas, os colegas tiveram a iniciativa de visitá-lo. ''Os professores foram juntos. Essa visita ajudou na recuperação do aluno e o incentivou a voltar à escola. Ele contou que tinha medo de ser rejeitado por causa das marcas da queimadura e se sentiu aceito pelos colegas.''
Dos dias 15 a 20, Londrina promove mais uma semana da paz, com o tema ''Londrina. A Paz que a gente faz'', promovida em conjunto entre as Secretarias Municipais de Educação e de Cultura (ver programação nesta página).


