Inicialmente, considero que a discussão dessa questão, como está se dando, não é muito enriquecedora intelectualmente, mas vou me posicionar: sou contra a proposta "Escola sem partido", mas também sou contra a "Escola com partido único" ou "Escola com ideia única". Sou a favor de "Escola com todos os partidos", "Escola com todas as ideias". Meu pressuposto é que os estudantes têm o direito, sagrado, ao contraditório.

Pode-se dizer que essa polêmica começa, a crer no que dizem os liberais, conservadores e a direita, no proselitismo em favor de partidos políticos de esquerda por parte de professores. E isso trouxe uma reação: a proposta da "Escola sem partido". A questão é pertinente, professores podem estar, sim, defendendo determinados partidos políticos, não permitindo o contraditório, mas isso pode não estar ocorrendo só à esquerda, pode estar ocorrendo em ambos os lados do espectro ideológico. Isso é autoritarismo, peculiar a uma certa direita e uma certa esquerda brasileira. Nem toda a esquerda se comporta desse modo, assim como nem toda direita se comporta desse modo.

Os pais conservadores estão "esperneando" e podem estar certos ou errados, mas já imaginaram a gritaria dos pais com ideais de esquerda se na escola estivessem ensinando aos seus filhos que o capitalismo é bom? E que palestras e mais palestras feitas na escola são algumas vezes, ou na maioria das vezes, de defensores do capitalismo, com críticas ao marxismo? Ou que o professor defende que o governo Temer é legítimo e legal? Ou que defende a reforma de ensino sem crítica alguma à mesma? Não sei se essa é a realidade em todas as escolas, na maioria ou minoria delas, mas o tema está em debate e permito-me esta reflexão sobre o mesmo.

De minha vivência pessoal com certa esquerda e certa direita, coloco algumas questões: É dado o direito de falar aos estudantes que possuem uma formação contrária ao partido que os professores defendem, livremente? Democraticamente? Estão esses professores chamando o debate, perante os alunos, com defensores de outras tendências partidárias, outras ideologias, outras opiniões, para permitir o contraditório? Talvez sim, talvez não, mas o que conheço dessa esquerda e dessa direita é a prática da proibição à presença de pessoas com uma abordagem contraditória às suas. O outro é o capeta! Coxinha ou petralha, nesse discurso infantodebiloide, que se vê nas redes sociais.

A proposta Escola sem partido é, a meu ver, incorreta. Parte de um pressuposto que contraria a liberdade de expressão, um pilar da democracia moderna, um marco civilizatório. Um velho vício de certa esquerda e certa direita é proibir a livre circulação de ideias, proibir o debate ou permiti-lo desde que circunscrito a uma determinada linha de raciocínio ideológico. Nada de contraditório. Um demoniza o outro e fim de papo. Minha proposta é outra: a "Escola com todos os partidos" ou "Escola com todas as ideias".

Os estudantes têm direito ao contraditório! A aprender sobre as ideologias (todas) e as críticas às mesmas! As escolas devem propiciar a discussão de questões políticas sempre em um ambiente onde o contraditório possa ser também discutido. Uma palestra de quem é a favor do capitalismo? Então, também uma palestra de quem é a favor do socialismo, crítico do capitalismo. E vice-versa. Ou um debate contemplando defensores das duas ideias. É um pouco ingênuo? Talvez, mas acredito que possa ser também bom senso.

Nesse cenário, as escolas propiciariam a discussão de questões políticas sempre em um ambiente onde o contraditório possa ser também discutido. Necessitaria essa proposta um projeto de lei? Não sei. Talvez, seja bom estar escrito como uma norma ou orientação a ser seguida. Atende-se assim à demanda dos pais, professores e escolas, com liberdade para levar aos estudantes todas as opções possíveis garantindo a liberdade de expressão. Uma discussão mais rica deveria se dar sobre como podemos aprofundar nossa democracia, sem medo do debate, quem tem medo do livre debate são as ditaduras de ambos os lados do espectro ideológico.

IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor de Física aposentado em Londrina

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