Escola: ambiente de lazer e também de aprendizado - Sebastião Ferreira Macedo
Escola: ambiente
de lazer e também
de aprendizado
Sebastião Ferreira Macedo
A escola, acompanhando a tendência social, está evoluindo da educação para o trabalho para a educação para a vida. Buscando acompanhar a rapidez das mudanças que acontecem com a urbanização e globalização da sociedade, a escola está mudando o foco das avaliações, do conteúdo, para as habilidades e capacidades, principalmente dos jovens. Com isso, a escola procura abrir espaços e alternativas aqueles que ainda não dominam os meios de inclusão social para, aproveitando as oportunidades oferecidas pela escola, adquirir as habilidades no plano de sociabilidade e autodesenvolvimento.
É sob este prisma que a educação para a vida supera a educação para o trabalho. A partir daí, essa retomada da visão da educação do jovem preconiza uma oferta de opções ou projetos inovadores e ambiciosos que possam fornecer as bases para uma efetiva inclusão social e melhoria de chances para a entrada no mundo do trabalho como um ambiente de educação para a vida.
Tivemos a oportunidade de vislumbrar o projeto inovador e ambicioso - o aproveitamento máximo de uma tradicional manifestação cultural de nossas escolas: a festa junina do Colégio José Aloísio Aragão (Colégio de Aplicação), de Londrina.
Apesar dos problemas de falta de tempo e incentivo financeiro para o envolvimento do corpo docente com os programas ou atividades extracurriculares, uma promoção como conseguiu levar os envolvidos - professores, alunos e comunidade - a superar as incompatibilidades para vivenciar o momento presente. A educação para a vida busca o aproveitamento das oportunidades com uma visão de futuro, atualizando e potencializando-as para que o participante (aluno/jovem) se torne um agente transformador do momento social e da sociedade em que vive.
Para tanto, em razão da oscilação de tratamento recebido pelos jovens por parte dos adultos, necessário se faz a existência ou a produção de um panorama social que seja propícia ao despertar de suas habilidades ou capacidades.
É nesse momento da educação para a vida que se destaca o valor e a validade da recreação e do lazer como função fundamental e libertadora para a aceitação dos desafios e o exercício das habilidades pessoais e sociais.
No ambiente formal, pesa a responsabilidade da produção e o receio de errar. Já no ambiente de recreação e lazer - como a promoção que vivenciamos no mês passado em nossa escola - observamos que, tanto os docentes se sentiram à vontade para deixar fluir a criatividade, como os alunos não se acharam obrigados a executar os trabalhos, às vezes mais complexos que os problemas escolares do dia a dia.
Qual a razão dessa cooperação? É um questão de ambiente, ou seja, a pré-determinação e inclusão tácita de liberdade com responsabilidade que a ótica da recreação e lazer pode proporcionar. E assim, podemos ver surgir na forma de habilidades espontâneas e criativas, as potencialidades latentes e, às vezes, reprimidas por uma metodologia voltada para a obtenção de resultados a qualquer custo.
Uma festa junina é um evento extracurricular. Fora do horário e dos dias de aula. Caso constasse formalmente do calendário escolar, talvez se tornasse mera atividade sem maiores atrativos. No entanto, foi agradável observar a expectativa, a preparação, a montagem do cenário e, enfim, a festa. É estimulante acompanhar o planejamento interno de cada grupo para o funcionamento do seu trabalho; as cobranças de responsabilidade; o choro pelas falhas; os acidentes de percurso; o lucro (real) pelo seu trabalho e a alegria do dever cumprido.
É um momento para a avaliação direta e concreta (sem cola e sem medo) de parte daquilo que devemos aprender para uma vida saudável e prática. É um momento para sondar e dar oportunidades aos jovens de experimentar alguma atividade ligada à sua área de interesse ou simular o exercício de uma profissão.
Levando em conta o ambiente de recreação e lazer propiciado pelo evento e, na busca do aproveitamento máximo sob a ótica da educação para a vida, é o momento, também para uma auto-avaliação de todos os participantes em relação a si mesmos, à escola, à comunidade e ao modelo de educação atual, no sentido de se incluírem no ambiente da educação para a vida.
Assim, entendemos que lazer e recreação (direito constitucional) são requisitos básicos para a criação de um ambiente de oportunidades para a materialização de potencialidades em ações espontâneas de inclusão e transformação social, bem como para o exercício de avaliações de habilidades e capacidades, como pretende a educação para a vida.
- SEBASTIÃO FERREIRA MACEDO é diretor da Associação de Pais e Mestres do Colégio de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL)





