A escavação em Nova Aurora é fruto da persistência do jornalista Aluízio Ferreira Palmar, 58 anos, em encontrar os corpos de seus companheiros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O ex-guerrilheiro manteve contato durante quase um ano com um militar de Curitiba, reunindo informações que levariam à localização da suposta cova onde podem estar enterrados os seis desaparecidos políticos.
Aluízio lembra que, após a publicação da reportagem sobre a Operação Condor, em junho do ano passado – na qual ele aparece como fonte –, um homem ligou a cobrar para sua casa, em Foz do Iguaçu, mas o jornalista não estava. A pessoa deixou um recado dizendo ser militar e ter presenciado o assassinato do grupo Onofre Pinto e afirmava saber onde os corpos estavam enterrados. Porém, preferiu não deixar o número de telefone para retorno.
Ocorreram pelo menos mais três ligações telefônicas até os dois falarem diretamente. Logo na primeira conversa, o militar disse estar arrependido das ações feitas durante a ditadura. Entregar o destino dos corpos seria para ele uma forma de amenizar o sofrimento. O informante, entretanto, preferiu o anonimato pois, na época, tentava a reintegração ao Exército com objetivo de ser reformado. Concordou, apenas, em manter diálogos com um amigo do jornalista, em Curitiba, possibilitando, dessa maneira, ‘‘provar sua existência’’.
‘‘Inicialmente, suspeitei da iniciativa, porém, a cada novo contato realizado as informações repassadas começavam a ter sentido’’, lembra o jornalista. Aluízio constatou a veracidade dos dados nas expedições: a fazenda à margem da PR-239 pertencia a um deputado da Arena; o aeroporto, de fato, existiu no período de repressão e era utilizado pelas Forças Armadas e os moradores mais antigos confirmavam a história de operações militares na região.
Restava comprovar mais uma informação para convencer o Ministério da Justiça a ordenar a escavação do local, hoje coberto por uma plantação de trigo. O jornalista relatou os fatos ao deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), membro da Comissão de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça. A conversa resultou numa expedição feita por geólogos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizada no começo de junho, que viria a ser fundamental para o próximo passo da busca .
O petista é autor do livro Dos Filhos deste Solo - Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado (Editora Fundação Perseu de Abramo e Boitempo Editorial). A obra, usada como subsídio para esta reportagem, foi escrita em parceria com Carlos Tibúrcio, jornalista e dirigente da organização não-governamental (ONG) Tortura Nunca Mais, de São Paulo. (A.P.)

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