Curitiba - Casos de pedofilia envolvendo membros da Igreja Católica. Este é um dos temas mais delicados em debate atualmente. Tanto que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) avalia a possibilidade de elaborar uma cartilha a fim de preencher a lacuna gerada pela falta de zelo na seleção para o sacerdócio.
De acordo com o bispo de Ponta Grossa dom Sérgio Braschi, outra medida é aumentar o cuidado na admissão dos seminaristas e na formação dos padres. ''Achávamos um abuso aplicar exames de perfil psicológico nas pessoas interessadas em ingressar na vida religiosa, pois vinham com boa vontade. Mas pelo visto é necessário. Faremos uma peneira na formação de diáconos'', destaca. Ele acrescenta que a meta da CNBB é, a partir de agora, abordar cada caso na amplitude necessária, como pecado, crime e doença.
Quais mudanças os escândalos recentes provocaram na Igreja?
A CNBB vai elaborar uma Instrução de Discernimento Vocacional, para orientar na seleção de seminaristas. Mas é necessário mostrar que por mais que pareçam amplos, os casos expostos são isolados. Nós temos no mundo 450 mil padres. Aqui no Brasil são 18 mil. Esses casos são isolados.
Quais são as indicações deste documento sobre a formação dos sacerdotes?
Haverá maior cuidado e observação para admitir seminaristas e na formação dos padres. Achávamos um abuso aplicar exames de perfil psicológico nas pessoas interessadas em ingressar na vida religiosa, pois vinham com boa vontade. Mas pelo visto é necessário. Faremos uma peneira na formação de diáconos. O documento também traz orientações de como agir em casos de acusação de pedofilia. Pois se houve a violação, ela é um crime. Abordaremos na amplitude que ela merece, como pecado, crime e doença.
O senhor poderia discorrer sobre esses três eixos?
Antes de tudo, quando existir o abuso sexual de uma criança (pedofilia) ou de um adolescente (efebofilia) é um pecado contra o sexto mandamento, a castidade. E como pecado deve haver a penitência e a conversão. O abuso sexual também é um crime e uma questão de saúde mental e distúrbio psicológico, que pede tratamento.
É possível identificar se o interessado em ingressar na vida religiosa tem tendências homossexuais?
É. É feito um acompanhamento mensal, com psicólogos. Pra você ter uma ideia, somente 5% dos que entram no seminário se tornam padres. Já existe esse cuidado, mas é claro que isso não impede que às vezes não se perceba até que ponto a pessoa tem qualidades para o sacerdócio e até que ponto a vocação que ele diz ter é autêntica.
Mas em qual dos casos ele é aconselhado a deixar o seminário?
Se apresentar comportamento homossexual.
Os casos de abusos cometidos por padres são mais comentados hoje em dia. A Igreja encobria ou fazia vista grossa para o que acontecia antigamente?
Não. Talvez eram coisas que permaneciam escondidas e não permanecem mais. Hoje temos câmeras que fiscalizam a conduta das pessoas e os celulares também expõem a vida de todo mundo. Antigamente as pessoas não tinham coragem de acusar. E isso está mudando. Embora, ainda no seio das famílias, onde ocorre a maioria dos atos de pedofilia, haja pouca denúncia.
Acusações contra padres são comuns?
Não, não são comuns, graças a Deus.
Qual é sua avaliação sobre a declaração do secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone, que relacionou a pedofilia à homossexualidade?
Não me atrevo a entrar nesse campo porque é muito específico da psicologia. Até que ponto o rapaz, com 19, 20 anos, enquadra o caso em homossexualismo ou efebofilia (atração por rapazes)?

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