Quem acompanha o noticiário político diariamente sabe que a mídia tem explorado à exaustão, nas últimas semanas, as investigações em torno das denúncias contra a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. Ela e o marido, Jorge Murad, são acusados pela participação em um esquema de desvio de recursos de projetos do governo federal. Investigações da PF culminaram com a apreensão de R$ 1,34 milhão na sede da Lunus, o escritório de Roseana e Murad. A explicação para a origem do dinheiro não foi convincente e pode se configurar como crime eleitoral.
A medida prejudicou politicamente a candidatura de Roseana e causou o rompimento do partido com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Um fato inédito na política nacional, uma vez que historicamente o PFL sempre foi aliado de quem ocupava o poder, independente da matiz ideológica.
Dificilmente o governo conseguirá provar que a ação da PF no Maranhão não teve a intenção de alavancar o nome do ex-ministro José Serra. As últimas pesquisas revelam que Serra subiu na intenção de votos e já ocupa a segunda posição, atrás de Lula.
Já o efeito sobre Roseana foi devastador. Considerada como um dos grandes nomes para a sucessão de FHC, a candidatura da ex-governadora tem caído nas últimas pesquisas e pode se tornar inviável, apesar de desmentidos do PFL.
Todo esse imbróglio praticamente paralisou as votações do Congresso. O (e)leitor indiretamente é atingido na medida em que é obrigado a ver seus representantes engalfinhados em disputas políticas, ao invés de votar projetos de interesse da sociedade. E contribui ainda mais justificar o sentimento de repulsa que a política desperta na maioria da população.
Rosane Henn

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