Na última quinta-feira, votamos em terceiro turno um projeto que autoriza a veiculação de propaganda no verso de passes comuns ou vales-transporte, cuja renda seria destinada à Secretaria de Ação Social para aplicação exclusiva na Assistência Social.
Até aí tudo bem. Ocorre que esta vereadora e muitos vereadores não atentaram para o fato de que hoje veicula no verso dos passes a Campanha de Crianças Desaparecidas. Como mulher, mãe e cidadã, sensibilizamo-nos muito com essa campanha a ponto de termos declarado que teríamos votado contra o projeto caso tivéssemos atentado para o fato.
Entretanto, essa posição de transparência e honestidade caiu como de fosse um escândalo!
Lembro-me bem da campanha ‘‘Lula-Collor’’, quando, por não saber o preço do quilo do feijão, Lula foi ridicularizado. Ou seja, por esse fato houve a tentativa de inviabilizar toda a trajetória de lutas e compromisso do candidato.
Sempre procurei, enquanto cidadã e militante política, nortear-me pelo princípio da ética, da honra e da verdade. É certo que, enquanto ser humano, sou passível de erros. Embora o autopoliciamento para que isso não ocorra seja grande, não estou livre de cometer equívocos como qualquer mortal. O susto nisso tudo é quando a gente percebe que, no imaginário coletivo, o político de um modo geral, especialmente o parlamentar, é colocado como uma moeda de duas faces: de um lado, como corrupto, ladrão, irresponsável etc, e, do outro, como ‘‘entidade’’ acima do bem e do mal que não pode falhar, errar, pedir desculpas, cometer equívocos ou manifestar as suas emoções, principalmente se for mulher.
Esta situação, evidentemente, foi construída ao longo do tempo e é resultante de um modelo de sociedade excludente e cruel, que coloca a ação política como direito de alguns poucos ‘‘iluminados’’ e não como ação cotidiana de cidadania e exercício da democracia, tanto é que quando ouvimos alguém se manifestando como tendo ‘‘nojo e raiva de política’’, sabemos que embora generalizem, não estão reproduzindo o real conceito de política e sim se referindo à atuação dos maus políticos que, infelizmente, ocupam um grande espaço da nação brasileira.
Agora, como vereadora, sou capaz de compreender melhor o quanto se faz urgente um trabalho intensivo no sentido de resgatar a figura do político e estimular a população, de um modo geral, a se conscientizar sobre a essencialidade de uma ação participativa, de integração e troca entre os poderes constituídos e o povo, principalmente na derrubada do nicho onde muitos políticos se colocam ou são colocados distanciando-se da população ou sendo por ela isolados, o que contribui sensivelmente para o aumento desse abismo.
Da minha parte, não abrirei mão, jamais, de minha transparência, de me mostrar por inteiro, e tenho certeza de que, sobre aqueles que acompanham a minha trajetória de vida e luta, não pairam dúvidas do meu compromisso com a construção de uma sociedade solidária e justa.

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