Erradicação do trabalho escravo
Os avanços e progressos registrados pela humanidade nas últimas décadas não foram suficientes para acabar com uma antiga prática: o trabalho escravo. Se na Antiguidade perdedores de guerras eram escravizados e submetidos a trabalhos forçados, hoje a "escravidão moderna" pode até estar disfarçada para muitas pessoas, mas mantém a sua faceta cruel. São consideradas escravas pessoas que vivem em condição análoga à escravidão no mundo (trabalho forçado, tráfico humano, trabalho servil derivado de casamento ou dívida, exploração sexual e exploração infantil).
Levantamento do ONG Walk Free Foundation, organização internacional que tem como missão acabar com a escravatura moderna, o problema vitimiza cerca de 35,8 milhões de pessoas em 167 países. O número é 20,13% maior do que o registrado no ano passado. No Brasil seriam 155.300 e o relatório aponta que o País "melhorou" a sua posição no ranking passando da 94ª posição para a 143ª. Embora seja um avanço, é preciso considerar que não há comemoração enquanto a prática não estiver erradicada. Até porque estimativas indicam que apenas um em cada dez trabalhadores forçados são resgatados.
Além disso, um fator preocupante é que há uma mudança no "perfil do crime". Se há alguns anos a prática estava restrita à zona rural, hoje está instalada também na zona urbana: foi transferida para a construção civil, confecções e comércios. As vítimas são imigrantes haitianos, bolivianos, paraguaios, chineses, além de africanos de diversos países.
A erradicação do trabalho escravo deve ser um compromisso assumido por todo brasileiro. Outro ponto importante são mudanças na legislação. As leis atuais são consideradas brandas. Empresários que aliciam trabalhadores raramente têm perdas financeiras significativas ou punições penais. Cerca de 60% dos nomes incluídos na "lista suja" do trabalho respondem apenas a processos trabalhistas, sem punição penal. Também é preciso que a sociedade pressione por mudanças nesse sentido. O País precisa ser justo e igualitário a todos.





