Depois de 125 anos da abolição dos escravos, completados no último dia 13, parece um retrocesso que o Brasil ainda tenha registro de trabalhadores submetidos a condição análoga à escravidão. Relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego aponta que no ano passado foram resgatadas 2.849 pessoas que se encontravam em situação degradante tanto na zona urbana como na zona rural. Desse total, 256 estavam no Paraná, o terceiro no ranking – atrás apenas do Pará (563) e Tocantins (321). Os três Estados concentraram 40% do total de trabalhadores libertados.
A "escravidão contemporânea" costuma manifestar-se na clandestinidade. Além de não receberem corretamente salários e direitos trabalhistas, em muitos casos as pessoas são alojadas em locais inapropriados, sem qualquer condição de higiene e um mínimo de conforto. Por necessidade – ou ignorância – esses trabalhadores são explorados e submetidos a uma condição degradante. Por isso, a importância das fiscalizações. No caso estadual, no ano passado foi registrado um aumento superior a 1.000% de trabalhadores libertados. O resultado é atribuído a um maior número de fiscalizações.
Sem dúvida, é um trabalho que não pode ter fim até a erradicação total do trabalho escravo. A sociedade não pode aceitar essa prática. A legislação trabalhista tem que ser cumprida até porque, na maioria dos casos, desrespeita-se os direitos humanos das pessoas, uma situação que não pode perdurar.
É importante ainda que sejam discutidas formas de reinserir a pessoa no mercado de trabalho formal. Investir na educação e em cursos de qualificação são alternativas que devem ser pensadas para que essas pessoas não fiquem à margem da sociedade e voltem para as mesmas condições. Elaborar políticas públicas para atender esses trabalhadores deve fazer parte de todo projeto de governo.

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