EROSÃO ÁCIDA - A doença odontológica do século XXI
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Dentistas observam que um problema está se tornando cada vez mais comum, devido aos hábitos alimentares modernos. A erosão ácida atinge principalmente os mais jovens, que abusam de refrigerantes, por exemplo. Suco de limão, uva, vinagre, maçã, laranja, damasco, vinho tinto, molho para salada e tomate são alguns dos alimentos mais ácidos presentes na nossa dieta.
Roseane Borges de Lima é protesista em Brasília e explica quais as formas de prevenção, o tratamento e os cuidados relacionados à erosão ácida. Ela faz também um alerta: ''quando o problema está na fase inicial, é muito mais fácil para o paciente, que vai precisar de poucas consultas, o tratamento ficará mais barato, por isso a consulta pelo menos duas vezes ao ano é de extrema importância''.
O que é a erosão ácida?
É o desgaste do esmalte do dente devido à ação do ácido, que vai atuar retirando os minerais, amolecendo a superfície do dente e provocando a erosão.
Quais são as causas?
São dois motivos. O primeiro é sistêmico, quando o paciente tem alguma doença gástrica e sofre de refluxo ou regurgitamento. O ácido que volta do estômago é extremamente agressivo ao esmalte dos dentes e pode provocar esse desgaste. O outro motivo, mais comum, principalmente entre os jovens e adolescentes, é a erosão ácida provocada por bebidas e alimentos extremamente ácidos consumidos em excesso. Refrigerantes, sucos de frutas cítricas como o limão, a uva, a laranja.
O que seria esse excesso?
Diariamente e várias vezes ao dia.
Quais são os sintomas?
A descoloração. O dente vai perdendo o brilho, ficando opaco, vai apresentando fissuras que causam asperezas, principalmente nas bordas dos dentes incisais anteriores. Os posteriores começam a desgastar formando verdadeiras crateras na face ocusal do dente, que é a superfície onde se mastiga. Com esse desgaste começa a aparecer a sensibilidade.
O fato de usar aparelho ortodôntico ou fazer clareamento dental pode acarretar em erosão ácida ou deixar o dente mais suscetível?
Não. Porque quando tira o aparelho ortodôntico, usa-se brocas de polimento, não brocas de desgaste. Elas vão apenas polir a resina que foi colocada como cola. O clareamento dental não causa erosão, pode haver um problema de sensibilidade no início do clareamento, devido ao material usado, mas é um problema passageiro.
O paciente portador dessa doença precisa ter cuidado especial com escova de dentes, pasta?
Sim. A higienização é primordial. A escova deve ser de cerdas macias para não causar maior desgaste do esmalte, o creme dental precisa ter pouca quantidade de abrasivo e grande disponibilidade de flúor, inclusive no mercado existe um creme dental para problema de erosão ácida. O enxaguatório bucal mais indicado é o sem álcool.
Qual é o tratamento?
Conforme forem evoluindo as lesões e o paciente não procura tratamento profissional, esses dentes vão desgastando de certa forma que depois tem que ser restaurado com resina fotopolimerizada, que é da cor do dente. Se for uma extensão maior, há necessidade de se fazer um bloco, um canal, uma coroa. Isso depende muito do grau de evolução da doença.
Quem é diagnosticado com erosão ácida a partir de então precisa tomar cuidado extra ou só fazendo o tratamento resolve?
Há pessoas que possuem naturalmente uma saliva mais ácida. Essa pessoa já é predisposta a desenvolver a erosão ácida. É extremamente importante a prevenção, a visita periódica ao dentista, porque ninguém melhor que ele para fazer o diagnóstico. Também é importante o cuidado pessoal com os dentes, na escovação, na higienização, no uso do fio dental, do enxaguatório bucal. A escovação da noite é extremamente importante porque durante o sono a quantidade de saliva diminui e isso pode causar maior aderência de placa bacteriana nos dentes.


