Levantamento realizado pelo Datafolha revela que o jornal impresso é o segundo meio de comunicação mais procurado pelos eleitores para buscar informações sobre os candidatos. As pessoas mais esclarecidas são as que mais procuram os veículos impressos. De acordo com a pesquisa, 24% dos brasileiros com renda mensal acima de 10 salários mínimos preferem se informar por meio do jornal.
Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) revela que 46,1% dos brasileiros leem jornais impressos. Ainda segundo a Secom, 96,6% da população têm o hábito de assistir televisão. Mas não abandonam a leitura. E, nos dias de hoje, as pessoas passam mais tempo na frente do aparelho. Em 2001, o tempo dedicado a TV era de 4 horas e 37 minutos por dia. No ano passado, a média chegou a 5 horas e 18 minutos.
''As mídias estão buscando caminhos e recursos para sobreviver no mercado. E estão conseguindo. O jornal causa grande impacto na sociedade e cativa um grande público. Todo mundo tem seu espaço'', garante Luiz Santoro, doutor em Ciência da Comunicação, professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e consultor do Instituto Nacional de Telecomunicações. Na opinião de Santoro, a televisão brasileira inova muito pouco. Em entrevista à FOLHA, ele avalia a qualidade da programação e afirma que o excesso de TV pode causar prejuízos aos espectadores.
Como o senhor avalia a boa aceitação do jornal impresso no País?
Existem discussões sobre o futuro do jornal impresso, mas ele causa grande impacto na sociedade e cativa um grande público. Cada veículo tem seu espaço. Os veículos impressos têm uma tiragem enorme. Eles estão buscando caminhos e recursos para sobreviver no mercado. E estão conseguindo. As matérias dos jornais impressos chamam a atenção porque são mais criativas e aprofundadas. As pautas são melhores e sempre haverá público para isso.
E qual a sua opinião sobre a qualidade da TV aberta?
Temos uma programação muito semelhante a de anos atrás. Não há grandes novidades. As novelas, os telejornais e os programas de variedade passam no mesmo horário. O formato da TV não mudou. O que vem sendo alterado é a inserção de novas tecnologias, o que dá mais prazer ao hábito de assistir TV. A TV brasileira inova muito pouco. Ela reproduz fórmulas de sucesso.
Que tipo de consequências o excesso de televisão pode trazer aos espectadores, em especial para as crianças e os adolescentes?
A televisão é uma babá eletrônica para as crianças. E para as pessoas de mais idade é uma companhia. Com o crescimento da violência e com a falta de opções de lazer nas cidades, as pessoas ficam mais em casa e a audiência da TV vai crescendo. Mas é claro que existe uma faixa da população, principalmente os adolescentes e jovens, que deixa a televisão em segundo plano.
As consequência de passar muito tempo na frente da TV é uma discussão que esteve em voga nos anos de 1960 e 1970, quando as pesquisas mostravam que os jovens passavam horas e horas na frente do aparelho. Aí entra a questão da violência. E a pessoa pode ficar, de certa forma, ''alienadada''. No entanto, hoje essa discussão migra para a internet, devido às 'besteiras' que muitas vezes são veiculadas.

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