Depois de um ano de resultados abaixo do esperado, a Petrobras conseguiu autorização para reajustar o preço dos combustíveis. Desde ontem, as refinarias já estão cobrando 4% mais pela gasolina e 8% mais pelo óleo diesel. A avaliação é que o índice aplicado não causará grandes impactos ao consumidor final, uma vez que a projeção é que nas bombas o percentual
aplicado será menor e, por isso, não deverá causar um impacto muito grande no IPCA (índice que mede a inflação oficial).
O aumento das importações de gasolina, gerado pelo crescimento do consumo interno, aliado à apreciação do dólar frente ao real, vinha causando estragos na saúde financeira da empresa. Segundo cálculos de especialistas, há uma defasagem de 15% no preço dos combustíveis entre o
mercado interno e o externo. O momento é importante porque a Petrobras precisa manter a saúde financeira para sustentar os investimentos, principalmente no pré-sal. No entanto, o governo – que controla a empresa – não autorizava os reajustes para não alimentar a inflação, ainda mais
com a proximidade das eleições presidenciais.
É preciso encontrar o equilíbrio entre os preços internos e os externos. Nenhum brasileiro quer ver a Petrobras "quebrada", mas tampouco quer pagar um preço exorbitante pelo combustível. No entanto, é preciso vigilância para impedir que a estatal seja usada politicamente a fim de sustentar
artificialmente a economia. É preciso que sua gestão seja eficiente e transparente para que os brasileiros tenham conhecimento de sua real situação.
E, mesmo que o impacto do reajuste da gasolina seja pequeno nas bombas e no índice de inflação neste mês, o consumidor pode esperar uma movimentação importante devido ao aumento do óleo diesel a partir do próximo ano. Esse reajuste pode pressionar o preço dos fretes e provocar
indiretamente alta no custo dos alimentos e outros produtos. Outro impacto importante será a tarifa do transporte coletivo. Como neste ano o preço não subiu, pressionado pelas manifestações populares, pode-se esperar um reajuste para 2014.

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